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Em um ano, voluntários plantaram 5 mil mudas nativas no Parque Nacional da Tijuca

O Globo - http://oglobo.globo.com/
01 de mar de 2018

Em um ano, voluntários plantaram 5 mil mudas nativas no Parque Nacional da Tijuca

Agência O Globo
Publicado em 01/03/2018 às 11h03

A intenção vai além do desejo de contribuir para a preservação do meio ambiente. Plantar, limpar, sinalizar trilhas, abrir caminhos, fazer mutirões dentro do Parque Nacional da Tijuca também é um jeito de chamar a atenção do carioca para o privilégio de se ter uma floresta no meio da cidade.

- É importante aproximar o carioca do parque. Ele é pouco utilizado. A população poderia usufruir muito mais deste espaço - avalia Estevão Ciavatta, um dos criadores do programa "Um Pé de Quê", produzido pela Pindorama Filmes.

O cineasta ama a Floresta da Tijuca desde os tempos de adolescência. Já fez tai chi chuan ali entre as árvores, subiu dezenas de vezes a Pedra Bonita, admirou a vista do Rio do alto da Pedra da Gávea e perambulou pelas trilhas dentro da mata. Da paixão, passou para a ação. Ele é um dos voluntários que ajudam a manter o parque, uma área de 39,51 quilômetros quadrados com acessos por bairros da Zona Norte, Zona Sul e Zona Oeste. Gente que acha que o papel de manter um patrimônio desta proporção não é só um dever do poder público, mas de quem ama o Rio.

Em 2016, Ciavatta lançou a campanha Dá Pé para plantar mais de 3 mil mudas no Morro do Visconde, na Floresta da Tijuca, além de outras 20 mil no Vale do Paraíba. Conseguiu mais de R$ 400 mil em doações e, ao lado do filho Roque, de 4 anos, e da mulher, a atriz Regina Casé, ajudou a plantar as mudas que vão dar nova vida ao morro que perdeu árvores devido a incêndios e degradação humana.

-O parque tem um enorme potencial de uso. As pessoas alegam falta de segurança para não frequentar mais. Acho que esse medo é um exagero. Há áreas muito seguras, principalmente aquela mais próxima da sede, no Alto da BoaVista.

O trabalho de Ciavatta continua este ano. Conselheiro da Associação dos Amigos do Parque, ele está articulando com a SOS Mata Atlântica a criação do primeiro viveiro de mudas da Floresta da Tijuca. O outro projeto também é ambicioso. Quer voltar a subir a Pedra da Gávea, seu lugar predileto no parque. Não é tarefa fácil. São 842 metros trilha acima, além de um ponto crítico: a Carrasqueira, um paredão de pedra, quase reto, que costuma ser um obstáculo para muitos aventureiros. Para o cineasta, que se recupera das sequelas de um acidente, o caminho é ainda mais difícil. Há oito anos, ele quase ficou tetraplégico depois de cair do seu cavalo Popó, no sítio da família.

-Não é fácil, mas estou treinando para isso. Se não for este ano, será em 2019-planeja.

Por amor à floresta, vale o esforço. Os números mostram a importância do trabalho voluntário no Parque Nacional da Tijuca, a unidade de conservação federal mais visitada do país graças à estátua do Cristo Redentor. Ano passado, eles plantaram 5 mil mudas nativas, produziram outras 2 mil mudas, retiraram 3 mil gramíneas invasoras. No total, 1.780 voluntários dedicaram 10.269 horas para tornar o parque um lugar mais limpo, mais organizado e atraente para o público. Oito trilhas foram mantidas graças a eles. Esta turma dedicada bateu recorde de plantio de espécies nativas em um único dia: 2 mil mudas nos Morros Taunay e Escragnolle.

O argentino Horácio Ragucci é uma espécie de símbolo dos voluntários abnegados. Presidente do Centro Excursionista Brasileiro, coordena os trabalhos na Transcarioca, a maior trilha do mundo dentro de cidade, aberta há um ano. Ela começa nas praias de Grumari e chega à Urca, num total de 177 quilômetros.

Foram Ragucci e dezenas de voluntários que sinalizaram, limparam, plantaram e abriram caminhos em trilhas construídas no Brasil Colônia. No total são 25 trechos que cortam o Parque Estadual da Pedra Branca e o Parque Nacional da Tijuca. O trabalho foi pesado. Pegaram em enxada, carregaram troncos de árvores, fincaram placas onde pintaram em preto e amarelo o símbolo da Transcarioca.

-Foi puxado, mas gratificante. Faço com prazer porque gosto de mato, de caminhar em trilhas e fico com pena de ver lugares tão lindos degradados - define Ragucci.

A manutenção continua e muitas vezes se deparam com a degradação provocada pelos próprios usuários. É comum ver placas arrancadas.

-A pessoa tira a placa pensando em levar para casa como lembrança. Anda um pouco e percebe que é pesada demais para carregar por tanto tempo e larga em qualquer lugar. É uma pena - lamenta Ragucci.

Além de voluntário, o argentino também lidera grupos de caminhadas. Já levou umas 5 mil pessoas para andar na Floresta da Tijuca. Seu maior feito no Rio é para poucos. Durante 15 dias, sozinho, percorreu os 177 quilômetros da Transcarioca. E assim, aos 67 anos, tornou-se um Guarurca, peregrino que sai de Grumari e chega à Urca.

Na equipe de voluntários que Ragucci coordena está Adilson Peçanha, responsável por 9,4 quilômetros da Floresta da Tijuca. O trecho vai da Estrada Grajaú-Jacarepaguá, onde fica a Represa dos Ciganos, até a Praça Bom Retiro, no Alto da Boavista. Sua tarefa é ajudar a a manter a trilha transitável. Na área, é comum cair árvores. Peçanha e seus companheiros de voluntariado cortam com facão os bambus que, vez ou outra, obstruem a passagem. Um trabalho cansativo.

-Faço com prazer. É uma retribuição à montanha. O montanhismo só sobrevive se voluntários cuidarem das trilhas.

O que tanto Ragucci quanto Peçanha lamentam é que o carioca ainda não tenha o hábito de desbravar esses caminhos.

-Carioca prefere praia e deixa a floresta em segundo plano - diz Ragucci.

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