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Em Sao Miguel, agua com cheiro de inseticida

JT, Cidade, p.A8
15 de Abr de 2004

Em São Miguel, água com cheiro de inseticida Moradores da região dizem que a alteração no cheiro e no gosto da água fornecida pela Sabesp tem causado problemas de saúde, como mal-estar e feridas na pele. Segundo a empresa, houve proliferação exagerada de algas em manancial, mas a população local não corre risco
ARTHUR GUIMARÃES e RITA DE CÁSSIA LOIOLA
Um líquido com cheiro de inseticida e gosto amargo. É essa a água que está saindo das torneiras e chuveiros das casas de São Miguel Paulista, na Zona Leste da Cidade. O problema foi percebido pelos moradores há uma semana e alguns dizem que o consumo da água está causando problemas de saúde. Os sintomas seriam mal-estar e a aparição de feridas na pele e sob o cabelo.
Funcionários dos postos hospitalares Vila Jacuí e Pedro José Nunes, ambos em São Miguel Paulista, afirmam, no entanto, que nenhum paciente deu entrada nas unidades por intoxicação causada pela água.
Na comunidade, o clima é de indignação e medo. A maioria dos moradores não sabe qual é o motivo da alteração e teme usar a água mesmo para regar plantas. "Já estou pensando em comprar galões para não correr risco de infecção. É o fim ter de beber água com gosto de veneno", reclama a aposentada Albertina Fagundes, 67 anos, moradora da Rua Édipo Feliciano.
Sgundo ela, nem mesmo o filtro dá conta de limpar a água que vem pelo encanamento. "Não tem jeito, o cheiro é fedido demais. Dá até ânsia na hora de tomar banho."
Albertina contou que sua filha Eliana está com coceiras pelo corpo desde que a alteração passou a ser notada. "Se piorar, teremos de procurar ajuda médica", disse a aposentada, que paga R$ 20 mensais de conta de água para a Sabesp todo mês.
'Caixa d'água está limpa'
A aposentada descartou a hipótese de os sintomas da filha serem causados pela falta de limpeza na caixa d'água de sua residência. "Não faz nem 3 meses que limpamos tudo lá em cima", garantiu.

Sabesp garante que não existe risco para a saúde De acordo com Armando Flores, gerente da Divisão de Controle de Qualidade de Água da Sabesp, o problema em São Mateus foi causado pela proliferação exagerada de algas no manancial que abastece a Represa Taiaçupeba, em Suzano. Entretanto, segundo ele, a água não oferece nenhum risco à saúde. "A substância liberada pelas algas e que causa o mau cheiro e o gosto diferente é encontrada em maiores quantidades em alimentos como a beterraba", diz.
Segundo a Sabesp, não há problema algum em ingerir a água ou utilizá-la para a higiene.
Todos os municípios e regiões de São Paulo abastecidos pelo Sistema Alto Tietê - 2,7 milhões de pessoas da região de Guarujá, Itaquaquecetuba, Suzano e alguns bairros da Zona Leste - são afetados pelo problema, de acordo com a companhia.
As algas pertencem ao grupo das cianobactérias, que liberam uma substância chamada geosmina. Segundo Flores, as pessoas ingerem geosmina diariamente, mas não percebem. "Só quando ela aparece na água, inodora e insípida, causa esse desconforto."
Segundo a Sabesp, o problema ocorreu por um desequilíbrio ambiental na área de mananciais. "Isso é conseqüência da ocupação em áreas de proteção ambiental, construção de esgotos irregulares e da degradação dos mananciais", afirma o gerente. Segundo ele, as algas sempre existiram em pequenas quantidades. No entanto, os esgotos e a ocupação irregular liberam nutrientes, como fósforo e nitrogênio, que funcionam como alimento para as algas. "No fim do ano passado, tivemos um problema semelhante a esse, mas tão leve que a população nem percebeu", afirma. Nesse ano, o cheiro e o gosto ruim da água devem durar ainda uma ou duas semanas.
A Sabesp está aplicando carvão ativado em pó no tratamento da água para amenizar a multiplicação das algas.

JT, 15/04/2004, p. A8

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