Agência Brasil
Autor: Marco Antônio Soalheiro
08 de Mai de 2008
Brasília - O Conselho Indígena de Roraima (CIR) anunciou hoje (8) que 13 mil alunos de escolas indígenas de todo o estado vão se ausentar das aulas por tempo indeterminado em repúdio ao atentado sofrido por membros da comunidade na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
A medida também é uma reação à posição do governador José de Anchieta Júnior, que classificou o fato de índios terem entrado na propriedade do arrozeiro Paulo César Quartiero como terrorismo, prática que os indígenas atribuem aos rizicultores.
"Temos conversado com as lideranças e eles acham mais importante tirar os terroristas [os não-índios] de lá. O estudo depois tem como repor, mas não dá para ficar indo à escola com esse clima, essa insegurança", afirmou à Agência Brasil o coordenador geral do CIR, Dionito José de Souza, quando questionado se a medida não implicaria em prejuízos significativos para as próprias comunidades.
A tensão permanece em Roraima com os moradores da Raposa Serra do Sol e autoridades do estado à espera do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) de ações que questionam a demarcação da reserva em área contínua. A corte deve decidir em no máximo três semanas se os não-índios que possuem terras na área de 1,7 milhão de hectares poderão ou não permanecer lá.
Na última terça-feira (6), o líder dos arrozeiros e prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero, foi preso pela Polícia Federal (PF) por porte ilegal de armas e artefatos explosivos dentro da fazenda Depósito. Ele foi encaminhado para Brasília e está detido na sede da superintendência da regional da PF, à disposição da Justiça Federal, assim como o seu filho Renato Quartiero e outros funcionários da família.
O desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região Cândido Ribeiro será o responsável por marcar e colher o depoimento do arrozeiro, bem como julgar um pedido de habeas corpus em favor do produtor.
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