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Em meio à pandemia da Covid-19 Conaq e Ecam avançam em mais uma etapa dos programas Povos Tradicionais e Novas Tecnologias e Compartilhando Mundos

Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas - http://conaq.org.br/
Autor: Por Maryellen Crisóstomo - Ascom Conaq
07 de jun de 2020

Em webinar a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais (Conaq) e a Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam) lançaram a publicação Quilombos e quilombolas da Amazônia: Desafios para o (re)conhecimento. O documento apresenta dados inéditos sobre a realidade socioeconômica de 107 quilombos de seis Estados da Amazônia Legal. O vídeo do lançamento segue disponível no You Tube e Facebook da Conaq e a publicação em PDF, no site.

"Esse momento poderia estar sendo feito presencialmente e a gente a gostaria de estar junto às comunidades nas quais foram realizados esses Programas e entregando esses produtos, mas, infelizmente essa pandemia não nos proporcionou isso" justificou a coordenadora executiva da Conaq, Sandra Maria Andrade, que lembrou dos avanços da trajetória dos 24 anos de existência da Conaq.

Os Programas Novas Tecnologias e Povos Tradicionais e Compartilhando Mundos têm como parceiros Google Earth Outreach e USAID, e a Ecam foi a entidade executora juntamente com a Conaq.

Selma Dealdina, secretária executiva da Conaq, lembrou ainda que a tecnologia foi a pauta principal dos Programas agora se torna o meio de divulgação da publicação.

A implantação dos programas capacitou jovens e lideranças quilombolas que forma os responsáveis pelo levantamento dos dados juntos às famílias das suas respectivas comunidades localizadas nos Estados do Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins.

Histórico da parceria e iniciativa entre Conaq e Ecam
Em sua fala o coordenador da Conaq, pelo Rio de Janeiro, Ronaldo dos Santos fez um paralelo entre a implantação dos Programas e o contexto político do Brasil desde 2015, quando iniciou a parceria entre Conaq e Ecam. "Tenho certeza que temos plantado sementes e temos construído processos que vão nos das possibilidades para que os próximos 10 anos sejam de muita potência na luta quilombola do Brasil" ressaltou.

O que é quilombo e o que é quilombola?
Para Kátia Penha, essa temática caracteriza e une todos os quilombos do Brasil. Segundo ela, a união se dá a partir do significado do que é quilombo e do que é ser quilombola. "Falar do que é quilombo, quilombola é falar sobre o eu, de onde eu venho. Com certeza as comunidades que participaram desse projeto, trouxeram para essa publicação muitas falas importantes importantes que unifica todos os biomas do Brasil", ressalta Penha é coordenadora da Conaq pelo Espírito Santo.

Metodologia dos Programas Novas Tecnologias e Povos Tradicionais e Compartilhando Mundos
Meline Cabral, coordenadora doo Programas pela Ecam, ressaltou que o programa Novas Tecnologias e Povos tradicionais já existem na Ecam há 13 anos, cujo intuito é capacitar os povos para realizar levantamentos de dados dos seus próprios territórios. "Ele possibilitou capacitação em ferramentas tecnológicas como Google Earth que possibilita o mapeamento, o ODK que possibilitou o levantamento de dados e o YouTube que é uma ferramenta de divulgação", explicou.

Segundo Cabral foram capacitados mais de 230 quilombolas ao longo dos anos de 2017 e 2018 e a execução do projeto contou com o envolvimento de mais de 800 quilombolas.

Uso dos Dados pela Conaq e Comunidades
José Carlos Galiza, coordenador da Conaq pelo Estado do Pará, destacou a importância do levantamento realizado pelos quilombolas, tendo em vista o registro e armazenamento das informações dos quilombos. "Esses dados servem como um dos instrumentos de proteção e conquista do território, porque a comunidade passa a ter dados importantes que muitas vezes nem os órgãos do Estado que tem essa competência de fazer a titulação e proteção do território, não têm" pontua Galiza.

Cenário Atual, políticas públicas e Pandemia da Covid-19 nos territórios
Givânia Silva, co-fundadora da Conaq, enfatizou o desafio das próprias comunidades produzirem os seus próprios documentos e ocuparem o lugar da escrita. "E esse projeto já é o começo desse desafio: a gente produzir as nossas informações com a nossa própria linguagem", enfatiza.

No que tange ao acesso às políticas públicas, Silva, aponta que a estruturação do racismo impacta diretamente no acesso à essas políticas e hoje a pandemia veio mostrar essa realidade. "Hoje as pessoas perguntam: o que a Pandemia trouxe para vocês quilombolas?, a questão é: como que nós estávamos antes da pandemia" pondera. "Como que eu digo para que a pessoa lave as mãos se ela não tem água e não foi a pandemia que tirou a água, ela já não tinha. como que eu digo para que a pessoa fique em casa produzindo se ela não teve o território dela regularizado?" questiona Silva.

Na ocasião, o médico infectologista, Eugênio Scannavino, fundador do projeto Saúde e Alegria. Destacou a ineficiência do serviço público em várias escalas: saúde, educação, acesso à informação, água potável e transformação. "Não dá para avaliar a estrutura de saúde dos municípios onde estão os quilombos, porque a maioria não tem e onde tem, normalmente já existe uma demanda reprimida e com a pandemia se explodiu. Isso é uma realidade já bastante antiga apesar do avanço com as UBS, mas, é insuficiente", pondera Scannavino.

O Webinar de lançamento aconteceu no último dia 02 de julho e contou com a participação de Givânia Silva, co-fundadora da Conaq, dos coordenadores: José Carlos Galiza, Kátia Penha e Ronaldo dos Santos, da coordenadora executiva Sandra Maria Andrade, da secretária executiva da Conaq, Selma Dealdina, da coordenadora dos Programas pela Ecam, Meline Cabral e do médico infectologista, Eugênio Scannavino, fundador do programa Saúde e Alegria.

Assista ao Webinar de lançamento

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