OESP, Vida, p. A17
23 de Jun de 2009
Em dez anos, 12% do gelo dos Alpes suíços some
Jamil Chade
Cientistas estão descobrindo que mesmo o que já foi visto como perene pode sofrer com o aquecimento climático. Ontem, a Universidade de Zurique anunciou o resultado de pesquisa de uma década mostrando que as "neves eternas" dos Alpes desaparecem rapidamente. Em dez anos, 12% do gelo nas montanhas suíças derreteu.
O fenômeno é registrado em várias regiões. Há dois anos, no Monte Kilimanjaro (Tanzânia), a neve desapareceu no verão pela primeira vez em 11 mil anos. Mas até agora não se sabia que o fenômeno era tão intenso, também na Europa.
O que se conhece popularmente como neves eternas são os glaciais, estruturas de gelo que não derretem - ou não derretiam - o suficiente no verão a ponto de desaparecer. Dois fatores pesariam nesse fenômeno: a elevação média da temperatura no verão e a queda de neve mais suave no inverno.
A universidade alerta que nunca o ritmo de derretimento do gelo dos Alpes foi tão rápido. "A última década foi a pior desde que começamos a registrar os dados, há 150 anos", disse Daniel Farinotti, pesquisador.
Segundo ele, há dez anos a Suíça contava com uma cobertura de gelo de 1.063 quilômetros quadrados. Desde 1999, os glaciais suíços perderam 9 quilômetros cúbicos de gelo. A maior queda ocorreu em 2003, quando a redução foi de 3,5% em 12 meses.
Até 2050, os pesquisadores estimam que os invernos nos Alpes serão 1,8oC mais quentes; os verões terão 2,7oC a mais. O derretimento das neves eternas pode representar problemas econômicos para a Suíça. Além de mais avalanches e deslizamentos de terra, o abastecimento de energia pode ser prejudicado, pois as hidrelétricas seriam menos abastecidas pelo derretimento sazonal dos glaciais. O turismo também sofreria perdas.
OESP, 23/06/2009, Vida, p. A17
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