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Em 2050, duas em cada três pessoas viverão em cidades

O Globo, Sociedade, p. 30
11 de Jul de 2014

Em 2050, duas em cada três pessoas viverão em cidades
Relatório da onu prevê aumento da concentração urbana no planeta

Marcos Alves

Mais da metade da população mundial vive em cidades, e, até 2050, outras 2,5 bilhões de pessoas deverão se juntar às 3,9 bilhões que já estão nelas, fazendo com que duas em cada três seres humanos estejam em áreas urbanas. A mudança no perfil populacional se dará principalmente em algumas das regiões mais pobres do planeta, o que representará enormes desafios, que vão de infraestrutura a emprego, passando por serviços básicos como saúde e educação. A conclusão é da revisão deste ano do relatório "Perspectivas da Urbanização Mundial", produzido pela Organização das Nações Unidas e divulgado ontem.
- Administrar as áreas urbanas se tornou um dos mais importantes desafios do desenvolvimento no século XXI - diz John Wilmoth, diretor da Divisão de População do Departamento de Economia e Questões Sociais da ONU e responsável pelo relatório. - Nosso sucesso ou fracasso na construção de cidades sustentáveis será um fator importante para os avanços após a agenda de desenvolvimento da ONU de 2015. Segundo o documento, hoje cerca de 54% da população global moram em áreas urbanas, proporção que deverá crescer para 66% em 2050. E grande parte do crescimento terá como palco cidades e megalópoles com mais de 10 milhões de habitantes em países de Ásia, África e América Latina, cujo número também aumenta. Só Índia, China e Nigéria responderão por 37% da alta na população urbana mundial até 2050, acrescentando 404 milhões, 292 milhões e 212 milhões de pessoas ao mundo, respectivamente.
O relatório destaca ainda que, em 1990, havia apenas dez megalópoles com mais de 10 milhões de habitantes no mundo, quando, então, eram o lar de 153 milhões de pessoas, ou menos de 7% da população mundial. Hoje são 28 megalópoles, onde estão 453 milhões de pessoas, ou cerca de 12% da população mundial. Destas, 16 estão na Ásia, quatro na América Latina, três na África e na Europa e duas na América do Norte. Apesar disso, cerca de metade da população urbana global ainda está em cidades menores, com menos de 500 mil habitantes, contra uma em cada oito pessoas nas megalópoles.
De acordo com o relatório, Tóquio continua a ser a cidade mais populosa do mundo, com 38 milhões de habitantes e, apesar da expectativa de queda em sua população, deverá manter a posição pelo menos até 2030, quando abrigará 37 milhões. A capital japonesa é seguida pela indiana Nova Déli, que atualmente tem 25 milhões de habitantes e cuja população deverá alcançar 36 milhões em 2030. Já no terceiro lugar está Xangai, com 23 milhões de pessoas, enquanto Cidade do México, Mumbai e São Paulo dividem a quarta colocação entre as maiores megalópoles, com cerca de 21 milhões de habitantes cada.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Os autores do documento lembram, no entanto, que grandes ou pequenas as cidades são peça chave para a implantação de políticas de desenvolvimento sustentável, como foi reconhecido na conferência Rio+20. Segundo eles, as concentrações urbanas permitem ampliar a oferta de serviços como saúde e educação para um maior número de pessoas de maneira economicamente mais eficiente. Além disso, fornecer transporte público, habitação, eletricidade e saneamento básico em regiões densamente povoadas geralmente é mais barato e menos danoso ao meio ambiente do que em áreas predominantemente rurais. Por fim, as cidades oferecem mercados de trabalho maiores e mais diversificados, e as pessoas que moram nelas costumam ter vidas mais longas e saudáveis.
Mas, para tirar vantagem de tudo isso, alerta o relatório, é preciso um planejamento urbano holístico e eficaz que garanta a expansão da infraestrutura necessária e o acesso igualitário a serviços, além de reduzir o número de pessoas em favelas. Já as políticas nacionais devem ter como objetivo evitar a concentração excessiva da população em um ou dois grandes conglomerados urbanos, promovendo o crescimento de cidades com tamanho intermediário.

O Globo, 11/07/2014, Sociedade, p. 30

http://oglobo.globo.com/sociedade/ate-2050-dois-tercos-da-populacao-mun…

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