O Globo, Ciência, p. 38
30 de Ago de 2007
Elevação do nível dos mares já é irremediável, aponta relatório da ONU
Aumento pode chegar a 3,7 metros, mesmo que medidas sejam tomadas
A versão final do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês) da ONU, a ser divulgado em novembro, sustentará, segundo a agência de notícias Reuters, que embora ainda haja tempo para reduzir as maiores conseqüências da elevação das temperaturas, alguns impactos já são inevitáveis. Uma versão preliminar divulgada ontem revela que a elevação do nível dos mares, por exemplo, é irremediável, ainda que medidas sejam tomadas agora.
Segundo o texto, o nível dos oceanos continuará subindo "por muitos séculos" mesmo que a concentração de gases do efeito estufa seja estabilizada porque a água se expande ao ser aquecida. Somente essa expansão natural elevaria os mares de 0,4 a 3,7 metros nos próximos séculos - o derretimento de geleiras não entra nessa conta.
O texto sustenta que também é inalcançável a meta da União Européia de manter o aumento das temperaturas em, no máximo, 2 graus Celsius acima da média registrada antes da Revolução Industrial.
Alguns impactos podem ser adiados, dizem
Síntese final dos três relatórios do IPCC divulgados este ano, o novo documento tem como principal objetivo fornecer diretrizes aos governos para reduzir o aquecimento. Os especialistas lembram que muitas tecnologias limpas já estão disponíveis para substituir as mais danosas.
"Muitos impactos podem ser evitados, amenizados ou adiados", informa o texto. Entre as opções apontadas para reduzir o impacto do aquecimento, os 2.500 especialistas que assinam o relatório, apontam o desenvolvimento de maior eficiência energética, aumento do uso de fontes renováveis de energia e a ampliação do mercado de créditos de carbono.
O relatório reitera que o homem é o maior responsável pelo aumento das temperaturas. "Muito do observado aumento da média global das temperaturas desde meados do século XX é muito provavelmente causado pelo aumento das concentrações de gases do efeito estufa proveniente das atividades humanas", diz o texto.
"Muito provável" significa pelo menos 90% de probabilidade. Em 2001, o IPCC dizia que o percentual era de 66%, o que indicava que a contribuição humana para o fenômeno era "provável".
O relatório lista entre as piores conseqüências enchentes, aumento de doenças e custos relacionados à saúde pública, mortes por ondas de calor e aumento do risco de extinções de espécies de animais e plantas.
Dados do documento
Elevação das temperaturas: O aquecimento do sistema climático é inequívoco, como está agora evidente pelas observações da média das temperaturas do ar e dos oceanos, pelo derretimento de gelo e neve e pelo aumento do nível do mar.
Mudanças Mais de 89% das mudanças observadas nos sistemas naturais são consistentes com um mundo mais quente. As mudanças no clima ao longo do século XXI serão bem mais significativas do que as registradas no século XX.
Efeito estufa: As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso aumentaram significativamente por causa das atividades humanas desde 1750. Os volumes anteriores à Revolução Industrial eram bem menores.
Nível do Mar: A elevação do nível do mar pode chegar a até 3,7 metros nos próximos séculos mesmo que as emissões de gases-estufa sejam estabilizadas agora, em razão das passadas e atuais emissões.
Perdas: As perdas econômicas resultantes do aquecimento global poderiam chegar a 3% do PIB mundial, um custo considerado altíssimo. Se medidas forem tomadas agora, no entanto, a conta pode ser menor.
Impactos: Muitos impactos podem ser adiados, amenizados ou mesmo evitados se as emissões de gases do efeito estufa forem reduzidas nas próximas décadas. Quanto antes melhor, porque as emissões ainda vão alcançar um pico máximo antes de começarem a declinar.
Soluções: Novas tecnologias - a maioria delas já disponíveis e outras a ponto de serem comercializadas - são a principal solução para o aquecimento.
O Globo, 30/08/2007, Ciência, p. 38
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