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Elevação do mar pode fazer país no Pacífico desaparecer até 2100

O Globo, Sociedade, p. 23
06 de Jul de 2015

Elevação do mar pode fazer país no Pacífico desaparecer até 2100
Efeitos do aquecimento global também preocupam donos de ilhas

-TARAWA- O futuro é sombrio para Kiribati e seus 100 mil habitantes. O atol do Pacífico não vê no horizonte os bilhões de dólares necessários para evitar que seja engolido pelo mar. Como a altitude média da região é de apenas dois metros, a elevação do nível do mar, desencadeada pelo aquecimento global, ameaça afundar as ilhas até 2100.
- Não temos montanhas e não podemos construí-las. Não temos os recursos necessários - alertou o presidente Anote Tong, na edição de ontem do jornal "The Straits Times", de Cingapura. - A quantia necessária depende do número de ilhas que queremos manter, mas certamente serão bilhões de dólares. Talvez possamos levar algumas pessoas para as ilhas vizinhas, e nelas erguer o relevo que garanta a sobrevivência da população.
Em 2014, Tong comprou terras em Fiji por US$ 11,7 milhões, onde pretende realocar parte da população de Kiribati, caso seja necessário. Para a oposição, foi um desperdício de dinheiro. O presidente, no entanto, assegura que, mesmo antes do fim do século, outros fenômenos ligados ao aquecimento global podem deixar Kiribati para os peixes.
- Nós experimentamos um momento difícil com o ciclone Pam no início do ano - lembrou. - Se estes eventos se repetirem e tornarem- se mais severos, nossas chances de sobrevivência serão consideravelmente reduzidas.
O presidente não está muito otimista com o resultado da Conferência do Clima em Paris, em dezembro, quando autoridades de 196 países vão se reunir para negociar um novo acordo de combate às mudanças climáticas.
- Já existe a tecnologia necessária (para ajudar Kiribati) - assegurou. - A questão é se eles (a comunidade global) terão consciência e apoiarão os países que certamente serão afetados. Se fizerem isso, poderemos ficar aqui nas próximas décadas.
A preocupação não se restringe a Tong e à população do atol no Pacífico. Celebridades e bilionários que possuem ilhas privadas ao redor do mundo temem que, entre os efeitos das mudanças climáticas, esteja o desaparecimento de seus ativos.
- É algo que me deixa extremamente preocupado - disse à NBC David Copperfield, conhecido ilusionista que é dono de Musha Cay e das Ilhas da Baía Copperfield, um resort em Bahamas. - Nós temos 11 ilhas aqui e queremos mantê-las.

O Globo, 06/07/2015, Sociedade, p. 23

http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/presidente-apela-par…

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