OESP, Economia, p. B13
28 de Abr de 2016
Eletronuclear vai à Justiça contra consórcio de Angra 3
O presidente da Eletronuclear, Pedro Figueiredo, disse ontem que a empresa vai recorrer à Justiça contra o consórcio Angramon, responsável pela montagem eletromecânica da usina nuclear Angra 3. A subsidiária da Eletrobrás quer ser ressarcida pela interrupção da obra, como previsto em contrato, segundo o executivo. Fazem parte do consórcio as construtoras Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Techint, UTC e EBE.
Em agosto do ano passado, as construtoras anunciaram a intenção de deixar o consórcio com o argumento de que o pagamento estava atrasado. Mas a Eletronuclear não aceitou a alegação e, agora, está disposta a cobrar na Justiça o pagamento pelo que considera abandono de projeto. Além disso, está levantando se o valor desembolsado até então, na casa de R$ 60 milhões, segundo Figueiredo, condiz com o que foi construído até o ano passado.
As construtoras que integram a Angramon estão sendo investigadas por suspeita de irregularidades, sobre tudo, de terem sido favorecidas na licitação da Eletronuclear. O presidente da subsidiária da Eletrobrás nega, no entanto, que tenha havido superfaturamento, porque o valor cobrado pelo serviço, de R$ 2,9 bilhões, está dentro da faixa considerada compatível com os preços de mercado, de R$ 2,8 bilhões a R$ 3,2 bilhões, segundo estudo realizado pela auditora externa Deloitte.
A contratação de uma auditoria externa para orçar a montagem eletromecânica de Angra 3 fez parte do plano de ação firmado entre a Eletronuclear e o Ministério de Minas e Energia, na tentativa de retomar o projeto. O próximo passo será lançar novas concorrências de pequeno porte relativas à montagem eletromecânica para adiantar as obras enquanto a Justiça analisa o contrato com a Angramon. / Fernanda Nunes
OESP, 28/04/2016, Economia, p. B13
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