OESP, Fórum dos Leitores, p. A2
Autor: AMARAL, Paulo Afonso de S.
20 de Abr de 2010
Elefantes brancos
Belo Monte é um absurdo do ponto de vista econômico e um crime, do ambiental. É um exemplo ótimo das distorções que a intervenção burocrática e voluntarista do Estado no domínio econômico pode gerar. Não importa se o investimento se justifica economicamente, o que importa é realizá-lo, erigir vastas estruturas produtivas que assegurem a capacidade física de produzir sem importar o custo. Essa era a "economia" dos planos quinquenais soviéticos e não admira, portanto, que os antigos países comunistas se tenham visto a braços com imensas empresas estatais, verdadeiros elefantes brancos, para as quais não havia outro destino senão o sucateamento, depois do colapso do comunismo. Mas não é um privilégio só dos extintos regimes de economia centralmente planificada, nós também tivemos a nossa dose não pequena de economia burocrática e voluntarista no II PND do governo Geisel: Ferrovia do Aço, Nuclep, Nuclebrás, três fábricas para produção de locomotivas e outros devaneios desenvolvimentistas que só serviram para aumentar a dívida do Brasil. Estamos tendo uma recidiva agora com Belo Monte e com o trem-bala. Ressalvo, porém, que sou contrário apenas ao voluntarismo estatal no campo econômico, não a uma intervenção do Estado reguladora e indutora da atividade econômica bem planejada e afeiçoada aos reclamos do mercado.
Paulo Afonso de S. Amaral
drpaulo@uol.com.br
São Paulo
OESP, 20/04/2010, Fórum dos Leitores, p. A2
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.