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Eike se une a empresa chinesa para produzir energia solar no Brasil

OESP, Economia e Negócios, p. B14
22 de Fev de 2008

Eike se une a empresa chinesa para produzir energia solar no Brasil
Plano do empresário é fabricar painéis solares e construir usinas com capacidade de gerar 1 mil megawatts

Mônica Ciarelli

A MPX, empresa de energia do empresário Eike Batista, vai investir em projetos de geração de energia solar no Brasil e em outros países da América Latina. Ontem, Eike anunciou a parceria com a empresa chinesa Yingli Solar para a construção de uma fábrica de painéis solares. Esses painéis serão usadas para abastecer as usinas de geração de energia solar da MPX.

A unidade piloto de equipamentos para captar a energia do sol será instalada na área onde está sendo construído o Porto de Açu, na região norte fluminense. A produção inicial da primeira usina geradora de energia solar, prevista para 2009, terá capacidade instalada de 50 megawatts.

Mas os planos de Eike são mais ambiciosos. Ele acredita que até 2015, a fábrica produzirá 1 mil megawatts, o que representa 25% da necessidade anual brasileira de ampliar a geração de energia para atender o crescimento do consumo.

"A MPX vai se transformar em uma gigantesca empresa de energia renovável no futuro", disse. Fazendo um paralelo com a tecnologia de terceira geração da telefonia celular, ele comentou que a geração solar é uma espécie de 3G do ramo de energia.

Hoje, a energia solar é uma das mais caras do mercado. O megawatt é negociado na casa dos US$ 240, enquanto a energia das hidrelétricas está em torno de US$ 50. Mas Para Eike, essa diferença deve cair muito ao longo dos anos, à medida que os projetos de energia solar ganhem escala.

"Tenho total confiança que em 2015 estaremos cuspindo mil megawatts de energia solar", afirmou. Essa meta vai permitir que o custo da energia solar caia pela metade, sendo vendida próxima aos US$ 100.

"Vamos nos tornar uma empresa solar, uma empresa totalmente verde", disse Eike. Em 2008, a empresa chinesa Yingli produzirá 300 megawatts e projeta dobrar sua produção no ano que vem. "O ganho de escala é importante. Esse é o caminho. É como se nós estivéssemos nos associando à Apple 20 anos atrás", afirmou.

Eike revelou que a empresa chinesa vai entrar na parceria fornecendo tecnologia, enquanto a MPX irá adquirir os terrenos para instalação dos painéis fotovoltaicos e da fábrica. O empresário citou como prováveis locais para a instalação dos painéis a região Nordeste, o Vale do Jequitinhonha (MG), e áreas ao longo de linhas de transmissão de energia.

A MPX possui nove projetos de energia em implantação baseados principalmente em termelétricas a carvão. Segundo Eike, a tendência é que com o tempo essa fonte ceda lugar à energia solar, menos poluente.

BOLÍVIA

Eike afirmou que estuda também oportunidades de investimentos na área de gás na Bolívia. A decisão do governo boliviano de nacionalizar o setor petrolífero no ano passado não desestimula o empresário, que faz questão de ressaltar que o presidente Evo Morales apenas elevou os impostos sobre o setor, mas, não confiscou propriedades. O empresário, que foi expulso de um projeto siderúrgico na Bolívia no início da gestão Evo Morales, diz que está negociando a volta ao país.

OESP, 22/02/2008, Economia e Negócios, p. B14

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