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Educação indígena inova ensino agrotécnico em duas escolas

Site da Funai
20 de Out de 2003

Desde o começo deste mês, a diretora de Educação Profissional e Tecnológica da Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec), do MEC, Ivone Moreyra, orientou a reformulação dos projetos político-pedagógicos das escolas agrotécnicas de Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul, e de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. O objetivo da revisão dos projetos é atender às vocações social e econômica dos municípios e regiões onde estão situadas. Em Nova Andradina, o currículo será voltado para a formação ambiental e, em São Gabriel da Cachoeira, o projeto pedagógico vai levar em conta as demandas dos povos indígenas. Lá, os índios representam 90% dos habitantes.

As duas escolas agrotécnicas integram a experiência pioneira de reavaliação da função social das escolas federais nas comunidades, iniciada pela Semtec, no início deste ano. Na Escola Agrotécnica de Nova Andradina, a secretaria vai constituir um grupo de trabalho formado por dois técnicos da diretoria de Educação Profissional e Tecnológica, dois do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e dois representando o município. Esse grupo, explica Ivone Moreyra, terá até 90 dias para ouvir as comunidades local e regional, especialistas, empresários, trabalhadores, ONGs e oferecer à Semtec uma proposta político-pedagógica, adequada à expectativa e à vocação do local. A escola de Nova Andradina, que fica no município do mesmo nome, está próxima do Pantanal, daí a importância de construir um currículo voltado para a formação de profissionais de nível técnico engajados com a preservação ambiental e a sustentabilidade, diz a diretora.

Em São Gabriel da Cachoeira, município da região conhecida como da Cabeça do Cachorro, localizado no noroeste do Amazonas, na divisa com a Colômbia, a escola agrotécnica tem capacidade para 700 alunos, mas só 80 estão matriculados. O motivo do desinteresse é a oferta de cursos que não atendem à vocação dos jovens e adultos. Segundo Ivone Moreyra, esta não será uma escola exclusivamente indígena, mas a proposta pedagógica deverá levar em conta os interesses dos povos que predominam na região. Um levantamento divulgado pelo coordenador da Educação Escolar Indígena, órgão da Secretaria de Educação Infantil e Fundamental (Seif), Kleber Gesteira, indica que a área da Cabeça do Cachorro é habitada por 22 povos indígenas, dentre eles os Yanomami, índios caçadores; os Baniwas, mais voltados para o artesanato;os Tuyuka, especialistas na construção de canoas. "As características da região e dos povos da Amazônia deverão ser levadas em conta pelas instituições e entidades que vão construir a nova proposta curricular, explicou explica Ivone Moreyra.

As organizações indígenas do Rio Negro, o Instituto de Formação dos Povos da Floresta, com sede no Acre, a Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena da Seif/MEC e a diretoria da escola já estão envolvidos com o novo projeto.

Com a participação das entidades, a Semtec vai construir um currículo para a formação de agentes agro-florestais envolvidos com a preservação ambiental e com o fortalecimento da economia local e regional que respeite as tradições culturais dos seus habitantes.

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