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Educação indígena é discutida em Congresso Municipal

Folha de Boa Vista
28 de Mai de 2008

A Prefeitura de Boa Vista abriu na manhã desta quarta-feira (28) o Congresso Municipal de Educação Indígena, no auditório do Museu Integrado de Roraima, no Parque Anauá. Participam do evento, que termina na sexta-feira (30), professores indígenas das onze comunidades em que a Prefeitura mantém escolas.

A secretária municipal de Educação, Stela Damas, destacou a importância do encontro como sendo uma oportunidade em que poderão ser discutidos os diversos aspectos da educação indígena. "Esperamos dar um foque diferenciado para a questão, buscando a preservação da cultura e, principalmente, do meio ambiente, com a qualificação dos professores", disse.

Para a secretária, o que se busca nesse Congresso é a construção de uma proposta de educação indígena, na qual sejam ouvidas não só as autoridades do setor, mas também, tanto quanto possível, envolver as comunidades. "Os professores, que estão na ponta, são parte importante nesse processo", destacou.

O Município é responsável pelo ensino fundamental de 1ª a 4ª série para a população indígena e mantém escolas-sedes em quatro comunidades, além de estruturas anexas que atendem a demanda de outras localidades. No total, são 275 alunos beneficiados nas turmas de educação infantil, ensino fundamental e EJA. Para preservar a cultura indígena, é oferecida nas comunidades a disciplina de língua materna.

A Prefeitura está realizando o processo licitatório para a construção de duas novas escolas que funcionarão nas comunidades de Vista Alegre e Lago Grande. Com as novas unidades escolares, o Município terá condições de ampliar a capacidade de atendimento, oferecendo mais conforto às crianças.

Experiência

A professora Edilce Pereira de Oliveira, da comunidade Vista Alegre, trabalha com alunos do 1o ano. Ela disse que encarar uma sala de aula numa comunidade indígena é bem diferente da experiência na Capital, onde também já trabalhou. "As crianças nos vêem como parte da família. É mais fácil a convivência entre professor e aluno e esse bom relacionamento tem como resultado melhor qualidade do ensino", explica.

Para a professora macuxi Adalécia Cunha, da comunidade Ilha, o Congresso será de grande importância, pois vai permitir maior aperfeiçoamento dos profissionais que estão em sala de aula. "Precisamos reconhecer que temos poucos conhecimentos e que necessitamos amadurecer, crescer, para poder repassar aos alunos um ensino de qualidade", enfatiza.

Palestras

Durante o seminário, realizado nesta quarta e quinta-feira, serão abordados temas diversos como a auto-estima, para criar nos professores a motivação necessária para permanecerem trabalhando nas comunidades indígenas; nutrição - conservação e higienização dos alimentos; preservação ambiental; aproveitamento do lixo orgânico para compostagem nas comunidades; prevenção das principais doenças tropicais; revitalização cultural e língua materna.

O Congresso contará também com oficinas pedagógicas voltadas para a discussão dos projetos de aprendizagem, conversa informal entre os participantes para a discussão dos pontos positivos e negativos do trabalho de educação indígena, as conquistas e avanços, além das perspectivas para o futuro. O encontro será encerrado com uma exposição fotográfica.

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