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Ecossistema degradado poe o planeta em risco

CB, Brasil, p.18
31 de mar de 2005

Ecossistema degradado põe o planeta em risco
Relatório da ONU aponta que 60% dos serviços como água potável, pesca e alimentos estão sendo usados de forma insustentável
Hércules Barros
Da equipe do Correio
A Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou ontem, em Brasília, um dos mais importantes estudos técnico-científico realizado em 50 anos. O relatório Avaliação dos Ecossistemas do Milênio traz a advertência dos cientistas sobre os perigos que o planeta enfrenta. Hoje, 60% dos serviços dos ecossistemas da Terra —água potável, pesca, alimentos, madeira, recursos bioquímicos e genéticos e regulação do solo e do clima — registram alto grau de degradação ou são usados de forma insustentável. A relação entre a pobreza e a necessidade humana de desenvolvimento impacta diretamente sobre a biodiversidade. Esse é um dos pontos cruciais a ser enfrentado pela humanidade durante a primeira metade do século 21.
Mais de dez mil páginas mostram uma minuciosa avaliação desenvolvida por cerca de dois mil cientistas do mundo inteiro sobre os impactos causados nos ecossistemas do planeta com a ação do homem. O desmatamento, por exemplo, influencia na proliferação de malária e a cólera e faz surgir novas doenças. O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marcus Barros, aproveitou a sua especialização em doenças tropicais para fazer relação do documento com a realidade brasileira. Barros citou os recentes casos de doença de Chagas, em Santa Catarina. É uma resposta à monocultura”, afirma.
Os pesquisadores advertem que o processo de degradação tende a se agravar nos próximos 50 anos, colocando em risco a sobrevivência de futuras gerações. De 24 serviços que a natureza oferece, 15 estão em processo acelerado de degradação”, explica o presidente do Conselho Empresarial Brasileiro Para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Fernando Almeida.
O desaparecimento de sardinhas da costa do Rio de Janeiro é reflexo do excesso de exploração industrial da pesca. O Lago Paranoá, em Brasília, também está ameaçado e pode ficar sem vida como é hoje a represa de Guarapiranga, em São Paulo”, alerta. Almeida se refere ao processo de superfertilização provocada por nutrientes de esgoto e da proliferação de alga. Esse é um dos maiores problemas que a humanidade vai enfrentar”, diz.
No fim do documento, os cientistas alertam que qualquer progresso em relação aos objetivos da erradicação da pobreza e da fome, melhoria da saúde e proteção ambiental não será sustentável, caso continue a deterioração dos serviços dos ecossistemas. Também alertam para o comprometimento das Metas do Milênio.

CB, 31/03/2005, p. 18

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