OESP, Caderno 2, p. D3
Autor: CASSIDY, Gwen
23 de Jul de 2011
''Ecologia é mais do que mero assunto da moda''
Para americana, impacto do evento pode ter ecos globais
Entrevista: Gwen Cassidy
Flavia Guerra
Gwen Cassidy cresceu em Chicago, mora em Los Angeles, mas conhece o mundo como poucos. Rodou o globo com as "horas de voo" que acumulou assistindo ao material bruto de Uma Verdade Inconveniente. Há pouco mais de dez dias, acrescentou alguns quilômetros no seu giro pelo mundo quando esteve pela primeira vez em São Paulo para ver as mais de cem horas registradas pela equipe da Digital 21 durante a primeira edição do SWU. Gwen (foto) aproveitou para conhecer a capital paulista, o Ibirapuera, e para entender por que os paulistanos reclamam tanto do trânsito. "São Paulo, e o Brasil, têm muitas questões sobre sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida em suas grandes cidades. Ao mesmo tempo, é um país que inspira o mundo, está no centro das atenções e pode ensinar muito. Seja com festivais como o SWU, que começam na música, mas têm uma amplitude muito maior, seja com sua exuberância." Foi essa contradição que a convenceu a entrar para a equipe de We Made It, como conta em conversa com o Estado.
O Brasil é um País de muitas contradições. Ao mesmo tempo em que é visto como "o país verde", tem muito o que avançar em termos de desenvolvimento sustentável. Como você está pensando em tratar isso em We Made It?
Um das características que mais me interessaram é exatamente esta dicotomia. Adoro ver que este movimento que une música, comportamento e sustentabilidade esteja ocorrendo agora no Brasil, um país que passa por um momento tão especial e que, ao mesmo tempo, tem grandes desafios ecológicos a vencer, da reciclagem às ciclovias, passando pela indústria e pelas florestas.
E abordar esses desafios em um filme que documenta um festival que une a ecologia à música pode ser uma forma muito eficiente, não?
A ecologia não é assunto meramente teórico ou um idealismo que está na moda. Sustentabilidade é questão de sobrevivência, de qualidade de vida, de economia, de indústria. Veja, por exemplo, o fato de o festival ocorrer em Paulínia este ano. É muito simbólico. A cidade tem esta controversa reputação de viver do petróleo. Mas é preciso admitir que muita renda é gerada com esta indústria. E que a cidade está usando este dinheiro para realizar pesquisas, eventos culturais, desenvolver projetos que sejam comprometidos com o meio ambiente, o SWU... Nada é tão preto no branco. E esta atitude pode ser um exemplo para outras cidades no Brasil e do mundo. É o local que se torna global que me interessa.
Assim como o filme, que partirá do regional para o global.
Sim. Quando recebi o convite para trabalhar em Uma Verdade Inconveniente, pensei: isso pode ser muito chato. Quem vai querer ver palestras do Al Gore no cinema? Mas quando assisti sua apresentação, quando me dei conta de que se tratava de algo muito mais amplo, interessante, que atingia a todos, apaixonei-me pelo assunto. E foi assim que fizemos o filme, com paixão. O mesmo queremos para We Made It. Será um documentário sobre um festival de musica? Sim. Vai ser sobre shows? Não. Vai ser sobre este movimento que está se tornando cada dia maior, seja no Brasil, seja na Estônia, nos EUA, na China. É sobre pessoas que se divertem, que bebem uma cerveja, mas que a reciclam, que usam bicicleta, sacolas de pano. De pequenas mudanças que se tornam grandes.
OESP, 23/07/2011, Caderno 2, p. D3
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110723/not_imp748829,0.php
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