O Globo, Ciência, p. 53
Autor: FELDMANN, Fabio
09 de Dez de 2012
'É uma assembleia de autistas. Esse pacto não serve para 2012'
Corpo a Corpo
Fabio Feldmann
Ex-secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas elogia papel de liderança exercido por Brasil nas discussões
Como o senhor avalia o fim da COP-18?
Esta negociação não discutiu financiamentos e, principalmente, não avançou em nada nas metas de emissões. É uma loucura como tudo é adiado, enquanto a ciência mostra a gravidade do problema. É uma assembleia de autistas. A única defesa que faço é que, em 1997, ninguém sabia que os EUA não se engajariam, e que a China seria uma potência. Esse pacto não interpreta o mundo de 2012.
Qual deve ser o posicionamento do Brasil nas discussões?
O Brasil sempre teve um papel de protagonista. Desde a COP-15, em 2009, estamos em uma posição confortável para falar com o mundo, porque reduzimos o desmatamento na Amazônia, que era o grande calcanhar de aquiles. Somos líderes de um grupo de países em desenvolvimento, o G-77, que é uma bagunça, por abranger nações com realidades tão diferentes. Mas novos acordos dependerão principalmente de China e EUA.
E eles estão dispostos a negociar?
Creio que 2013 será decisivo. Estou otimista com a troca de comando na China, que já fez estudos sobre como se adaptar à economia verde, e se espera que, com a reeleição, Barack Obama assuma uma postura mais ativa no meio ambiente.
O Globo, 09/12/2012, Ciência, p. 53
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