OESP, Cidades, p.C6
21 de Abr de 2004
É pouco, mas o Cantareira está em seu nível mais alto em 7 meses Sistema está com 19,5% da capacidade, pois finalmente choveu no lugar certo
O armazenamento de água do Sistema Cantareira chegou ontem a seu nível mais alto nos últimos sete meses e meio: 19,5%. Graças à passagem de uma frente fria pelo Estado, chuvas de 39,4 milímetros atingiram os mananciais que formam o Cantareira. Com isso, seu volume de água subiu de 18,8% para 19,5% da capacidade. O nível mais baixo do reservatório foi registrado no dia 1.o de dezembro: 1,6%.
Neste mês, do dia 1.o até ontem, o Cantareira recebeu 117,7 mm de chuvas, o que supera a média histórica para todo o mês na sua bacia, que é de 90,2 mm.
Estima-se que hoje e amanhã o nível deverá subir ainda mais com a chegada das águas que caíram ontem de madrugada nos rios formadores do sistema.
De acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp), se as chuvas alcançarem pelo menos 70% da média histórica durante o inverno e a população continuar economizando para atingir a meta de redução do consumo em 20%, o racionamento no abastecimento de 9 milhões de pessoas servidas pelo Cantareira estará descartado.
Nos outros cinco sistemas que abastecem a Grande São Paulo, choveu entre 7,2 e 24,7 mm ontem.
O Guarapiranga está com 50,3% da capacidade, o Rio Grande com 90,3%, o Rio Claro com 101,9%, o Alto Tietê com 35,4% e o Alto Cotia com 42,3%. (Mauro Mug)
Prejuízo e limpeza
A balconista Marlene Maria dos Santos, de 33 anos, alugou uma casa de fundos por R$ 150 para viver com os quatro filhos. Em dois meses na Rua Iemanjá, paralela à Avenida Aricanduva, zona leste, ela já viveu quatro enchentes. A pior, na noite de anteontem, quando perdeu os poucos móveis que sobreviveram às anteriores. "Era tanta água que não tinha mais onde levantar os móveis", disse ela de manhã. Ontem foi dia de limpeza no bairro, com funcionários da Prefeitura. Segundo a subprefeitura, cem famílias atingidas ganharam cestas básicas. Algumas também receberam colchões e cobertores. A passagem da frente fria por São Paulo provocou 57 milímetros de chuva. No mês, choveu 109,3 milímetros. O índice histórico é de 76,4 mm.
Estiagem aumenta poluição de rios e represas Índice da Cetesb que mede qualidade da água caiu 5 pontos porcentuais em 2003
IURI PITTA
A falta de chuvas no ano passado expôs com maior gravidade as deficiências nas políticas de abastecimento e saneamento no Estado. Houve queda de 5 pontos porcentuais na qualidade da água de rios e represas paulistas de 2002 para 2003, segundo relatório divulgado ontem pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). A baixa taxa de tratamento de esgoto (37%) é o principal agente de poluição dos recursos hídricos.
Os rios e reservatórios com avaliação ótima, boa ou regular para abastecimento público caíram de 73% para 68% do total do Estado. Na Bacia do Alto Tietê, responsável pelo atendimento da Grande São Paulo, a melhora foi mínima, de 1 ponto porcentual.
A região metropolitana apresenta índice de tratamento de esgoto um pouco acima do nível estadual, 39%, e registrou em 2003 a menor quantidade de chuvas em 66 anos. Enquanto a média histórica da Grande São Paulo é de mais de 1.500 milímetros, no ano passado choveu menos de mil milímetros.
Segundo explicou o engenheiro químico Eduardo Mazzolenis de Oliveira, gerente do Departamento Técnico de Águas Superficiais e Efluentes Líquidos da Cetesb, a falta de chuvas diminui a vazão dos rios e, com isso, reduz a capacidade de autodepuração das águas. O relatório da Cetesb mostra que, desde 1998, tem chovido menos na região metropolitana.
"Medidas como o tratamento de esgoto e a disciplina do uso do solo agrícola e urbano amenizam os efeitos de uma grande estiagem como a do ano passado", disse ele. "Houve um acréscimo de 30% para 37% do tratamento de esgoto, mas que ainda não foi suficiente para melhorar a qualidade média das águas, porque o ano foi muito seco."
"Tratamento de esgoto deve ser visto não como obrigação de luxo, mas como questão de saúde pública", observou o professor de Recursos Hídricos e Meio Ambiente Aldo Rebouças, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.
"Precisamos acabar com a história de que tratar esgoto é caro e pensar que investir em saúde depois é que fica caro."
OESP, 21/04/2004, p. C6
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