VOLTAR

É possível consertar os erros da Câmara

OESP, Vida, p. A18
12 de Ago de 2011

''É possível consertar os erros da Câmara''
Marina crê que mobilização para mudar atual Código pode constranger senadores

Karina Ninni

A ex-ministra do Meio Ambiente e ex-integrante do PV Marina Silva disse ontem no Encontros Estadão & Cultura que espera que o Senado conserte os erros da Câmara Federal, que aprovou o substitutivo do Código Florestal apoiado pela bancada ruralista. Para ela, a mobilização da população é fundamental.
"Podemos criar formas sui generis de mobilização, para que os senadores se sintam politicamente estimulados e eticamente constrangidos a consertar o que foi feito na Câmara", afirmou a ex-ministra no auditório lotado da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo.
Marina lembrou que a discussão sobre o Código Florestal é muito antiga: desde a primeira versão da lei, promulgada em 1934, já havia uma preocupação com os rumos da ocupação e do uso do solo no País. "Quando a primeira versão do Código Florestal foi pensada, já havia um alerta vermelho para o fato de estarmos indo por um caminho perigoso", disse Marina.
Ela afirmou que um dos problemas causados pela discussão polarizada que se deu na Câmara dos Deputados foi tentar pintar a legislação ambiental como fruto de interesses externos ao País. "Essa legislação é fruto dos brasileiros, da academia, e não de ONGs estrangeiras, como andam dizendo."
Marina disse que existem áreas que devem ser preservadas, outras que devem ser manejadas, e áreas em que se deve consolidar a agricultura. "O que não podemos é impactar os recursos dos quais dependem milhares de pessoas em nome de um enriquecimento rápido e de curto prazo."
Adin. A proposta em trâmite no Senado está sendo relatada na Comissão de Constituição e Justiça pelo senador Luiz Henrique (PMDB-SC), um dos responsáveis pela polêmica lei ambiental catarinense que, entre outras providências, reduz faixa de mata ciliar para 5 metros, contrariando a lei federal. A lei de Santa Catarina é objeto de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por parte do Ministério Público Federal (MPF).
Anteontem, o senador afirmou que daria seu parecer até o dia 24 e queria colocar o projeto em votação no dia 31.
"Fala-se em passar o projeto pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, pois a academia pouco teve espaço para se manifestar. Mas o relator também seria o Luiz Henrique, que, apesar de todos os desastres ambientais que vêm acontecendo em Santa Catarina, é favorável à flexibilização da preservação. Fico preocupada. Isso seria o fim da legislação ambiental brasileira", opina Marina, que defendeu o diálogo com o agronegócio. "Existem setores do agronegócio que não concordam com as mudanças. Mas ainda não conseguiram se manifestar."

OESP, 12/08/2011, Vida, p. A18

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-possivel-consertar-os-err…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.