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E a floresta pode virar cerrado

CB, Brasil, p. 21
23 de mar de 2006

E a floresta pode virar cerrado
WWF Brasil alerta que o aquecimento global e o desmatamento poderão transformar entre 30% e 60% as Amazônia nos próximos 44 anos. Estudo da UFMG, publicado em revista britânica, também é pessimista

No segundo dia da 8a Conferência das Partes da Convenção sobre Biodiversidade (COP8), em Curitiba, a WWF- Brasil fez um alerta para as graves conseqüências do aquecimento global e do desmatamento sobre a Amazônia. A partir da releitura de artigos científicos já publicados sobre a Amazônia e as mudanças climáticas, a conclusão é a de que a maior parte da floresta poderá acabar sendo transformada em cerrado, resultando em enormes impactos sobre a biodiversidade e o clima do planeta.
A WWF teme que os efeitos das mudanças climáticas projetam um ambiente mais quente e seco, o que possivelmente resultará em uma redução substancial das chuvas em grande parte da região. Isso poderia causar alterações significativas nos tipos de ecossistemas encontrados na região e, dessa forma, provocar a extinção de espécies.
"As mudanças climáticas se apresentam como uma nova e considerável ameaça para a Floresta Amazônica e sua biodiversidade. Esses ecossistemas possuem uma grande proporção da biodiversidade mundial: 12% de todas as plantas conhecidas são encontradas na região. Portanto, ameaças a ela representam ameaças à biodiversidade", ressalta Denise Hamú, secretária-geral do WWF - Brasil. "0 mundo precisa urgentemente avaliar os riscos e as vulnerabilidades da biodiversidade perante as mudanças climáticas adverte Denise.
Segundo a WWF, a combinação das atividades humanas - como desmatamento -e as mudanças climáticas aumenta o ressecamente do solo e da floresta, debilita e causa a morte das árvores, que acabam servindo como combustível para os incêndios florestais. De acordo com pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), se não forem adotadas medidas, o aquecimento global e o desmatamento poderiam transformar entre 30% e 60% da Floresta Amazônica em cerrado até 2050.
Outro estudo, que será publicado na próxima edição da revista britânica Nature, também chama a atenção para a repercussão das mudanças climáticas na Amazônia. Conduzida por Britaldo Silveira Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais, a pesquisa adverte que 40% da Floresta Amazônica desaparecerão antes de 2050 se nada for feito para impedir sua destruição.
0 estudo assinala que a proteção das reservas naturais públicas não bastará para livrar a parte brasileira da Amazônia do desmatamento, dada a extensão atual do rebanho e do cultivo de soja nesta região, que conduz, entre outras coisas, à construção de estradas, destacam os cientistas.

CB, Brasil, 23/03/2006, p. 21

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