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Dourados confirma 6ª morte por chikungunya, todas de indígenas

Midiamax - midiamax.com.br
Autor: Lethycia Anjos
10 de Abr de 2026

Dourados confirmou, nesta sexta-feira (10), a sexta morte por chikungunya. Com isso, o município concentra 75% dos oito óbitos registrados neste ano em Mato Grosso do Sul. A vítima era um homem indígena de 55 anos, sem comorbidades. As outras cinco vítimas também eram indígenas.

A situação da epidemia segue crítica no município. Apenas em 2026, já foram confirmados 1.572 casos, além de 3.412 prováveis. Outros 2.449 seguem em investigação e 609 foram descartados, totalizando 4.630 notificações.

Atualmente, 29 pessoas estão hospitalizadas com suspeita ou confirmação da doença, e a taxa de positividade segue em 72%, o que indica que a maioria dos pacientes com sintomas testados tem diagnóstico confirmado para chikungunya.

Apesar da nova confirmação, três óbitos seguem em investigação no Estado - dois deles em Dourados. Entre os casos, está o de uma criança de 12 anos, indígena, sem comorbidades, que apresentou os primeiros sintomas em 28 de fevereiro e morreu na última sexta-feira (3).

Outro caso é o de uma menina de 10 anos, moradora da zona urbana da cidade. O óbito foi confirmado na terça-feira (7), mas os sintomas começaram em 28 de março, mesmo dia do óbito. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a criança estava internada no Hospital Regional de Dourados e também não possuía comorbidades.

Fora de Dourados, um óbito registrado no último sábado (4) segue em investigação na cidade de Jardim. No total, Mato Grosso do Sul soma oito mortes confirmadas pela doença, sendo seis em Dourados. Entre as vítimas do município, estão dois bebês, de um e três meses, e três idosos, de 60, 69 e 73 anos - todos indígenas. As outras duas mortes ocorreram nos municípios de Jardim e Bonito.

No início da epidemia, a população indígena era a mais afetada pela doença. No entanto, nas últimas semanas, o cenário mudou, e a alta de casos agora se concentra na área urbana da cidade. Até a 12ª semana, os registros estavam concentrados entre indígenas. A partir da 13ª semana, porém, houve uma inversão no perfil dos casos, com predominância entre a população não indígena e maior incidência na zona urbana de Dourados.

Nas primeiras semanas do ano (1 a 7), os casos se mantiveram em níveis baixos, com leve predominância entre não indígenas. A partir da 8ª semana, no fim de fevereiro, houve crescimento gradual e mais equilibrado entre os grupos - com 75 casos entre indígenas e 66 entre não indígenas -, o que indica o início da disseminação da doença.

Em março, o surto ganhou força, com 669 casos entre indígenas na 11ª semana. Na semana seguinte (12ª), houve novo pico, com 768 registros entre indígenas, quase o dobro dos 390 casos entre não indígenas.

Após esse ápice, os números começaram a cair, mas ainda permanecem elevados. Na 13ª semana, os não indígenas voltaram a liderar, sendo 544 casos contra 336, tendência que se mantém na 14ª semana, com 425 registros entre não indígenas e 194 entre indígenas.

Apesar da recente mudança no perfil da transmissão, a população indígena ainda concentra a maior parte dos casos confirmados, com 1.264 registros, ou seja, 82% do total. Nos territórios indígenas, são 1.780 casos prováveis, 516 em investigação e 246 atendimentos hospitalares. Todas as cinco mortes confirmadas pela doença ocorreram entre indígenas, além de duas das três mortes que ainda estão sob investigação.

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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