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Dono de reserva suspeita de incendio criminoso

OESP, Geral, p.A13
10 de Ago de 2004

Dono de reserva suspeita de incêndio criminoso
Metade da Fazenda Dois Irmãos, a maior reserva particular do DF, foi destruída
BRASÍLIA - O incêndio do fim de semana destruiu metade da maior reserva particular do Distrito Federal. Em dois dias, o fogo consumiu 2.400 hectares de cerrado da Fazenda Dois Irmãos, a 50 quilômetros do centro de Brasília.
Os proprietários dizem acreditar que a queima foi criminosa. Eles estimam que morreram no incêndio centenas de capivaras, cobras, tatus, tamanduás, raposas e pássaros.
A propriedade é usada pelo Ibama para readaptação e soltura de animais apreendidos. Uma jibóia solta na quinta-feira estava na área destruída. Já um jabuti, que foi retirado do cativeiro no mesmo dia, teve as patas queimadas. O fogo por pouco não atingiu o viveiro de araras e papagaios.
O empresário Márcio Imperial, um dos donos da fazenda, disse que a família tem várias suspeitas. Além de donos de chácaras vizinhas, ele não descarta a hipótese de ação de grileiros (invasores de terras) interessados em lotear a propriedade. Imperial diz que a área está nos planos do governo do Distrito Federal, que estaria disposto a anexá-la ao Parque Nacional. A intenção do governo, segundo o empresário, é aumentar a área do parque para conseguir, em contrapartida, licença ambiental para empreendimentos tecnológicos em outra região de Brasília. "A fazenda é muito visada por estar perto do centro", diz o empresário. "A vegetação destruída pode ser recuperada em alguns anos, o problema maior foi a morte dos animais."
Um helicóptero e 20 bombeiros combateram o incêndio. A área queimada inclui veredas, brejos, nascentes e córregos. "Os bombeiros fizeram o máximo, mas se o efetivo fosse maior o estrago não seria tão grande", avaliou Imperial.
Há 22 anos, sua família trabalha em um projeto de preservação e ecoturismo.
De acordo com imobiliárias, a Dois Irmãos está avaliada em R$ 40 milhões.
"Não temos interesse em vender a reserva", diz o proprietário.
A tenente Vanessa Signale, do Corpo de Bombeiros, diz que 80% dos incêndios no período da seca (maio a outubro) são criminosos. Os seis batalhões dos bombeiros no DF registram média de 40 incêndios por dia nesta época. Só em 2003, foram 3 mil.
(Leonêncio Nossa)

OESP, 10/08/2004, p. A13

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