O Globo, Economia, p. 43
24 de Jun de 2012
Documento da Rio+20 dá saudades da Rio 92
Faltam resultados para ambos os acordos
Receber críticas não é exclusividade do documento aprovado na Rio+20. A Rio92 também desagradou a ambientalistas, que esperavam muito mais do encontro promovido pela ONU.
Especialistas afirmam, no entanto, que dificuldades econômicas e políticas - e não ambientais - levaram, há 20 anos, a termos mais robustos e inovadores.
Não havia crise econômica assolando o planeta e a geopolítica mundial registrava fatos como a queda do Muro de Berlim, em 1989. A Rio 92 comemorava os 20 anos da conferência ambiental de Estocolmo e discutia os resultados do Relatório Brundtland ("Nosso futuro comum"), de 1987.
- A Declaração do Rio, de 1992, passou a ser a bíblia dos ambientalistas. Ela falava das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, isso leva em conta as diferentes contribuições para a degradação ambiental que os países tinham provocado - explica Haroldo Mattos de Lemos, da Escola Politécnica da UFRJ.
A Rio 92 produziu a Declaração sobre Florestas, discutida durante a Conferência. As convenções sobre Mudanças Climáticas e Diversidade Biológica criavam mecanismos próprios: os países que as ratificassem passavam a fazerparte das conferências das partes (COPs). O Protocolo de Kyoto, com metas para reduzir os gases-estufa, também pode ser considerado um legado, além da criação da convenção para desertificação e da comissão para o desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 foi preparada pelo secretariado da conferência.
A grande maioria desses instrumentos criados em 1992, porém, não conseguiu grandes avanços concretos.
Já o documento assinado na Rio+20 nasce sendo chamado de aguado. Ele pode ser resumido como a reafirmação de compromissos estabelecidos em 1992, mas também apresentou alguns avanços. Os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio terão, em 2015, parâmetros de sustentabilidade.
Para muitos, o melhor da conferência foi a mobilização da sociedade civil e o compromisso de prefeitos de grandes cidades em reduzir emissões.
O Globo, 24/06/2012, Economia, p. 43
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