A Crítica - http://acritica.uol.com.br/vida
06 de Abr de 2015
Documentário 'A Lei da Água' será exibido nesta segunda (6) à noite no Kinoplex Amazonas
Para garantir o acesso à sala, porém, é preciso contribuir com a campanha de financiamento coletivo que viabiliza o encontro, em favor da natureza
Manaus (AM) , 06 de Abril de 2015
ROSIEL MENDONÇA
Os pontos polêmicos do Novo Código Florestal, lei federal aprovada em 2012 após anos de debates, são o fio condutor do documentário "A Lei da Água", que será exibido hoje, às 21h, no Kinoplex do Amazonas Shopping. Para garantir o acesso à sala, porém, é preciso contribuir com a campanha de financiamento coletivo que viabiliza o encontro.
Cada contribuição de R$ 20, por exemplo, dá direito a um ingresso para a exibição, que será seguida de um bate-papo com especialistas. Encerrada a meta da campanha (R$ 1.800), as entradas referentes aos assentos remanescentes serão distribuídas por ordem de chegada no próprio Kinoplex. Mais informações podem ser encontradas no site http://agua.catarse.me/pt/manaus. "Exibir em Manaus é uma questão de honra", afirma o diretor do filme, o paulista André D'Elia.
Produzido pela Cinedelia em co-produção com a O2 Filmes, de Fernando Meirelles, "A Lei da Água" é uma parceria do Instituto Socioambiental (ISA), WWF-Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e Bem-Te-Vi Diversidade. O documentário põe em discussão as divergências em torno do Novo Código Florestal, que definiu o que deve ser conservado e o que pode ser desmatado nas propriedades rurais e cidades do País.
"Não é que a lei seja um fracasso, o que se questiona são pontos técnicos e científicos e se eles são bons ou não para quem precisa de água nas torneiras", explica D'Elia. O cineasta levou 16 meses produzindo o filme e colheu depoimentos de ambientalistas, cientistas, ruralistas, agricultores e políticos nos Estados do Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
Um dos pontos críticos da nova lei, segundo ele, é a diminuição da área de preservação de florestas ao redor de nascentes de 50m para 15m. "Você acaba desprotegendo muitas várzeas e igapós, no caso da Amazônia, um total de 400km² de florestas que estariam desprotegidas com essa nova regra, é o tamanho de São Paulo e Paraná juntos", aponta.
Para D'Elia, outro problema é o caso da anistia a desmatadores. "Dá um sinal de que desmatar é um bom negócio, vale a pena. Para a população que vive da terra isso é um problema e cria uma insegurança jurídica, porque questiona o próprio poder do Estado de impor essas leis". "A Lei da Água" também mostra que tanto as inundações na Amazônia quanto a crise hídrica no Sudeste são consequências diretas do desmatamento.
RELAÇÕES
Formado na Fundação Armando Álvares Penteado, André D'Elia trabalhou durante um tempo na seleção e captura de material de pesquisa e acervo em grandes emissoras de televisão. Foi a partir dessa experiência que ele teve a ideia de fazer o filme "Belo Monte - Anúncio de uma Guerra", sobre a construção da hidrelétrica no rio Xingu, estado do Pará. Depois de viajar a Amazônia, percebendo que não havia informações confiáveis sobre o tema, D'Elia resolveu fazer um documentário investigativo.
Em novembro de 2011, foi lançada na Internet uma campanha de financiamento coletivo para o filme. Mais de 3.500 pessoas do Brasil e do mundo financiaram o processo de pós-produção, juntando cerca de R$ 140 mil e batendo o recorde de maior financiamento coletivo em plataforma aberta do Brasil. "Belo Monte" já foi assistido por 45 mil pessoas nos cinemas e 3,7 milhões na Internet.
Hoje, ele usa a Sétima Arte em favor das questões socioambientais, como prova "A Lei da Água". "Não sei se engajado seria a palavra certa. Esse meu interesse surgiu porque minha mãe é socióloga e sempre teve muitos livros sobre a questão indígena", diz ele, também leitor de Darcy Ribeiro.
"Embora goste muito da natureza e dos animais, nesse novo documentário levo em consideração que o direito brasileiro não considera os direitos da natureza e dos animais. Quem têm direitos são as pessoas: à água, à energia, à uma economia mais equilibrada. Estamos sempre falando disso, mas de um ponto de vista econômico", pondera.
Serviço
O quê: Exibição do documentário "A Leia da Água", de André D'Elia
Onde: Kinoplex do Amazonas Shopping
Quando: Hoje, às 21h
Como: Contribua com R$ 20 para a campanha e ganhe um ingresso: http://agua.catarse.me/pt/manaus
http://acritica.uol.com.br/vida/manaus-documentario-Lei-Agua-Kinoplex-A…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.