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Dobra número de focos de queimadas no Pantanal

OESP, Vida, p. A23
09 de Mai de 2009

Dobra número de focos de queimadas no Pantanal
Área do bioma em MS tem 107 pontos de incêndio na 1ª semana de maio; foram 46 no mesmo mês de 2008

João Naves de Oliveira

Imensas manchas negras formadas pelas queimadas estão mesclando a vegetação do Pantanal de Mato Grosso do Sul. Segundo Márcio Yule, coordenador do Prevfogo do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), este mês foram constatados 107 focos contra apenas 46 do mesmo mês do ano passado. Desde janeiro último ocorreram 681 queimadas na região.

Ele explica que a estiagem, prevista a partir de julho, começou em março, quando choveu 40% abaixo da média histórica. Abril acabou sendo o mais seco dos últimos 30 anos em toda a região pantaneira do Estado. A situação está exigindo a antecipação da proibição das queimadas controladas e autorizadas pelo órgão, porque está se tornando insustentável.

Em Corumbá, a "capital do Pantanal", a fumaça ofusca o brilho do sol e chega a prejudicar o tráfego aéreo no município, impedindo pouso e decolagem no Aeroporto Internacional. Na área rural do município os fazendeiros reclamam das grandes fogueiras que estão destruindo o verde, ninhos de aves e filhotes de animais nativos, além de ameaçar o rebanho bovino.

Quarta-feira pela manhã, o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Manoel Martins, fez um voo de pouco mais de uma hora sobre a zona rural do Pantanal e contou, do alto, 30 incêndios de grandes proporções, atingindo principalmente as laterais de cordilheiras de mato, beira de baías, vazantes e lagoas. "O cenário é realmente desolador, triste demais."

O sindicato e o Ministério Público Estadual enviaram ofício ao Ibama, solicitando providência para amenizar o problema. No documento, é destacado que os focos de fogo são provocados por raios secos, ocorrência comum no Pantanal, mas a maioria ocorre pela ação humana.

"Estamos dispostos a colaborar com as autoridades na identificação desses incendiários. Não são os pecuaristas que colocam fogo no Pantanal", afirmou Martins.

EFEITO PROLONGADO

Além da destruição da vegetação nativa e da fauna, as queimadas colaboram para a ocorrência da chamada "dequada": depois das queimadas chega o período das chuvas, formando enxurradas que levam as cinzas até os rios pantaneiros. Depositadas sob as águas, reduzem o oxigênio e a consequência é a mortandade de peixes em grandes quantidades nos rios mais piscosos da região.

Na área urbana, a situação não é diferente em todos os municípios da bacia hidrográfica do Alto Paraguai. O mato dos terrenos baldios está queimado.

OESP, 09/05/2009, Vida, p. A23

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