O Globo, Mercado Aberto, p. B2
Autor: FRIAS, Maria Cristina
23 de Out de 2014
Dívida de gás natural gera risco de apagão em Manaus
MARIA CRISTINA FRIAS cristina.frias@uol.com.br
A Petrobras ameaça suspender o fornecimento de gás natural para o Amazonas, o que pode deixar Manaus e outros municípios do Estado sem energia elétrica às vésperas das eleições para presidente e governador.
Em carta datada de segunda-feira (20), a BR Distribuidora, braço da petroleira, informa que caso não haja "solução amigável" para a quitação da dívida pela Amazonas Energia e Eletrobras até amanhã (24), a Petrobras suspenderá o fornecimento de gás à distribuidora Cigás.
A condição para que isso não ocorra é que seja feito o pagamento prévio correspondente à quantidade de gás solicitada. A dívida já antiga com a petroleira é estimada em cerca de R$ 3 bilhões.
A Petrobras abastece a Cigás, que, por sua vez, repassa o produto à subsidiária da Eletrobras, a Amazonas Energia, que gera a eletricidade e a distribui na região.
Uma cláusula do contrato firmado em 2006 estabelece que, caso o pagamento atrase, a Amazonas deverá quitá-lo diretamente com a Petrobras. Estima-se que a Cigas fique com cerca de 2,5% do valor a pagar.
"A situação chegou ao limite, por isso acho que a carta [da Petrobras] é razoável, embora eu acredite que seja algo protocolar", diz Lino Chixaro, presidente da Cigás.
"Não tem como a Petrobras suspender o fornecimento, isso deixaria 60% da cidade de Manaus sem energia", diz.
Para ele, a Eletrobras também não tem culpa direta. "Com a reforma federal que foi feita no setor elétrico, a Amazonas Energia deixou de dispor dos recursos da CCC."
A CCC (Conta de Consumo de Combustível) é repassada pelo Tesouro Nacional para garantir ao Norte tarifas semelhantes ao resto do país, pois a energia gerada nas usinas da região é mais cara.
"Sem essa receita, ela [a Amazonas Energia] não tem como cobrir o débito", diz.
Em notas, a Eletrobras e a Amazonas Energia informaram que estão, junto com Ministério de Minas e Energia, Secretaria do Tesouro Nacional e BR Distribuidora, em processo de negociação dos débitos referentes ao suprimento de gás.
Outras informações serão fornecidas apenas depois da conclusão do acordo, ainda de acordo com as empresas.
O governo do Estado do Amazonas, por sua vez, relatou que acompanha a situação e que não vê a possibilidade de o fornecimento do combustível ser suspenso.
OUTRO LADO
Procurada pela coluna, a Petrobras informou que "está em negociação com a Eletrobras para o pagamento de dívida relativa ao fornecimento de gás natural ao Estado do Amazonas".
Por meio de uma nota, a petroleira afirma que "o suprimento de gás natural está garantido, visto que o fornecimento se dará pelo pré pagamento do gás, até que sejam concluídas as negociações".
"A correspondência em questão, que tem caráter confidencial, por se tratar de assunto comercial, faz parte do processo de negociação, e atende a exigência contratual", acrescenta.
A Petrobras informa ainda que não houve qualquer corte de fornecimento de gás no mês de julho.
O Globo, 23/10/2014, Mercado Aberto, p. B2
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/191967-divida-de-gas-natural-g…
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