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Discussão sobre a presença de missionários nas aldeias

Diário da Amazônia -Porto Velho-RO
10 de Nov de 2005

A presença de missionária nas comunidades indígenas estará em discussão na próxima terça-feira. Essa questão será debatida durante um encontro que reunirá representantes de lideranças indígenas, de missionários, Ministério Público Federal, antropólogos e pesquisadores da Unir e entidades religiosas. O evento acontece nas dependências da Unir-Centro, a partir das 8 horas. Hoje em Rondônia, existe uma média de 30 etnias e, estão sendo esperadas, a participação de, no mínimo, 15 delas no evento.
Este seminário é organizado pelo Núcleo de Educação Indígena de Rondônia (Neiro) e Centro de Cultura Indígenas (Cenci). O professor do departamento de História da Unir, Edinaldo Bezerra de Feitas, que é um dos coordenadores do evento explicou que, além de discutir a presença de missionários nas aldeias, será traçado um perfil dos trabalhos que se desenvolvem na questão religiosa entre os índios. O professor informou que hoje, existe disputa entre as igrejas nas comunidades indígenas.
"Em muitos casos, índios se entitulam pastores, o que descaracteriza as culturas indígenas, uma vez, que a figura do pajé é desrespeitada", informou Edinaldo de Freitas. Outra discussão é com relação ao assistencialismo dos missionários. "Muitos chegam nas comunidades indígenas, levam farmácias e alimentos e os índios acabam reféns dessas pessoas", afirmou o coordenador do evento. Ele falou ainda que tem conhecimento de alguns religiosos que chegam até as tribos e começam a ditar regras, e proibições nas aldeias, como impedir de os índios andarem nus.
A participação do Ministério Público Federal é imprescindível, segundo Edinaldo de Freitas, pois durante o seminário será abordado o que fala a lei sobre a presença desses missionários, e qual o papel que eles desenvolvem, principalmente com relação à resistência à cultura indígena.
O professor ressaltou ainda que existem casos de uma só aldeia viver mais de oito etnias. "Isso gera conflitos entre os moradores, pois há a dificuldade de definir projetos de educação e até para escolha de líderes.

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