Radiobrás-Brasília-DF
Autor: Eduardo Mamcasz
24 de Mar de 2005
O diretor-geral do Museu Emilio Goeldi, no Pará, Peter Mann de Toledo, aconselhou "muita serenidade e muita cautela" em acusações de biopirataria na Amazônia envolvendo cientistas. Segundo ele, "nessa questão do que é ou do que não é existe uma linha muito tênue". A afirmação foi feita durante debate sobre o assunto no documentário Amazônia-terra cobiçada que está sendo veiculado nas rádios Nacional da Amazônia e de Brasília. Nesta quinta-feira, o tema do debate foi A invasão dos biopiratas.
Porta de entrada e acompanhamento dos "cientistas-parceiros" internacionais que vêm fazer pesquisa na Amazônia, o Museu Goeldi, é uma entidade pública federal. Segundo seu diretor, a parceria científica precisa ser vista com "muita cautela". Segundo ele, a discussão sempre começa pelo preconceito de "qualquer relação entre o Brasil e qualquer instituto de pesquisa no exterior".
Sobre o combate à biopirataria criminosa na Amazônia, Toledo disse que é preciso antes reconhecer que o país não tem "a infra-estrutura adequada, nem as melhores políticas e recursos financeiros suficientes para combater justamente a falta de informação do desenvolvimento tecnológico." O diretor também recomendou cautela na "ação policialesca" contra a biopirataria, porque às vezes "falta ética entre colegas".
Para o diretor do Museu Goeldi, outra questão a ser discutida com atenção na Amazônia é o pagamento pelo uso da propriedade intelectual das populações tradicionais. "Ainda estamos engatinhando, tanto no Brasil como no resto do mundo, apesar de existirem algumas leis e regras com relação a isso". Sobre o assunto, Toledo disse que é longo o caminho amplo a ser explorado.
Toledo lembrou a criação do Conselho de Acesso ao Patrimônio Genético, medida que considera importante, porque permitirá "organizar os problemas que vão aparecendo", à medida que se criam regras de acesso a informações sobre os recursos naturais. Ele destacou a necessidade de se fazer um mapeamento dos povos e culturas e relacionar as informações de cada cultura.
O diretor disse que a formação do cientista brasileiro requer um tempo superior a dez anos, além de "recursos humanos extraordinários". Ele também destacou a importância do engajamento do setor privado nas pesquisas, de modo a dividir com o governo a responsabilidade do financiamento. Para ele, ewssa é uma forma de acabar com idéia de que "o governo tem que ser paternalista em alguns pontos nesta questão de incentivos para pesquisas científicas e tecnológicas".
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