OESP, Vida, p.A25
17 de Dez de 2005
Diretor deixa centro de primatas
Demissão ocorre depois da morte de 50 macacos
Carlos Mendes
Subiu para 50 o número de macacos mortos no Centro Nacional de Primatas por suposta contaminação pelo produto conhecido por maravalha, uma lasca de madeira que serve para forrar as gaiolas e protegê-las contra a umidade do clima amazônico. Entre os dias 4 e 7, 32 animais morreram; entre terça-feira e anteontem, outros 18. O registro de novas mortes fez o diretor do órgão, Reinaldo Amorim, pedir demissão do cargo ontem.
Ele disse ao Estado que sua decisão de sair é de "caráter pessoal", mas também se deve ao "desgaste" que tem sofrido nos últimos dias, depois que as mortes começaram. A comunidade científica lhe pediu que desistisse da demissão, mas não foi atendida. "Para mim, até que seja divulgado o laudo do exame biológico feito nos macacos, tudo não passou de fatalidade", avaliou. Mas não descarta nenhuma hipótese até que tudo seja esclarecido, incluindo a suspeita de envenenamento dos animais.
Dos 50 mortos, 32 eram da espécie mico-estrela e os outros 18 pertenciam à espécie sagüi-de-tufo-branco. Todos eram adultos, o que deixou dezenas de filhotes órfãos. Há suspeita de que alguns desses filhotes também tenham sido contaminados. Outros cem macacos reprodutores das duas espécies que restaram no centro foram removidos das gaiolas coletivas e estão em quarentena.
Segundo o veterinário Paulo Castro, há 800 animais de 25 espécies de macacos vivendo no local. Os que morreram serviam de modelo experimental para o estudo da hepatite, porque apresentavam quadro da doença semelhante ao do homem.
OPOSIÇÃO
Há apenas dois anos no cargo, Amorim enfrenta opositores dentro do órgão que estariam insatisfeitos com mudanças realizadas por ele. Entre as medidas, cortou privilégios de alguns servidores e desmontou um esquema que fazia sempre as mesmas empresas ganhar todas as concorrências para obras, fornecimento de alimentação aos macacos, computadores e até material de serviço.
Amorim contou que sua atuação, "voltada para o interesse público", já lhe rendeu até ameaças de morte após descobrir que uma empresa vencedora de licitação para a compra de computadores havia adulterado para menor a capacidade de memória dos equipamentos, burlando as regras do edital. "Ao exigir que fosse cumprido o que previa o contrato, uma pessoa perguntou ao telefone se eu não tinha medo de morrer", revelou.
OESP, 17/12/2005, p. A25
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