O Globo, Ciência, p. 30
18 de Nov de 2009
Dinamarca quer esticar Kioto
Ação de emergência
Graça Magalhães-Ruether
Enviada especial
O primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, apresentou ontem um plano B para tentar salvar a conferência de Copenhague. Ao contrário da meta inicial, audaciosa, de um acordo com metas quantitativas de cumprimento obrigatório para os signatários, o plano prevê medidas vagas e em duas etapas. A primeira seria um documento de intenção política de reduzir as emissões. Na segunda, de prazo indefinido, seria feito um acordo com obrigatoriedade de cumprimento das metas. E Rasmussen quer ainda ampliar o tempo de vida do Protocolo de Kioto, que expira em 31 de dezembro de 2012.
No encerramento da reunião ministerial de emergência para tentar salvar a conferência, Rasmussen disse ser essa a única forma possível de evitar o fracasso total.
- As negociações devem deixar todas as opções abertas, inclusive um segundo período do Protocolo de Kioto - disse ele, observando que Copenhague poderia decidir uma fase 2 do acordo assinado em 1997, no Japão.
Para a ministra da Casa Civil e chefe da delegação brasileira, Dilma Rousseff, mesmo que esse acordo não seja o ideal, haverá números concretos na mesa de negociação.
- O acordo de Copenhague pode não ter uma forma jurídica, mas, se tiver compromissos politicamente claros, já será um passo - disse Dilma.
Rasmussen acredita ser possível colocar no acordo todas as metas definidas na Conferência de Bali, há dois anos: redução de emissões, financiamento de ações de mitigação e transferência de tecnologia e limite do aumento da temperatura do planeta em, no máximo, 2 graus Celsius.
A ministra do Meio Ambiente da Dinamarca, Connie Hedegaard, também acha que há chance de obter algum avanço e que haverá muita pressão sobre os Estados Unidos e a China.
- Diria que o preço político a ser pago pelos Estados Unidos por bloquear as negociações será muito alto.
Já a China observa o que os americanos fazem para tomar a sua decisão - afirmou Hedegaard.
Pouco antes de embarcar de volta para Brasília, Dilma afirmou que o Brasil vai procurar ajudar na obtenção de um compromisso.
Ontem, mais dois países em desenvolvimento anunciaram compromissos de redução de emissão de dióxido de carbono. A Coreia do Sul anunciou que vai reduzir suas emissões em 30%.
Já a Indonésia prometeu cortes de até 26%. Mas os parâmetros para os cortes não foram esclarecidos.
O Globo, 18/11/2009, Ciência, p. 30
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