O Globo, País, p. 8
24 de Set de 2015
Dilma falará de Amazônia na ONU, mas não deve citar crise
Em discursos anteriores, economia do país foi a tônica da presidente
Catarina Alencastro* e Henrique Gomes Batista, correspondente
NOVA YORK e WASHINGTON - Na busca por uma agenda positiva em meio à grave crise política que enfrenta no Brasil, a presidente Dilma Rousseff aproveitará sua ida à Nova York para a 70ª sessão da Assembleia Geral da ONU para anunciar metas sustentáveis cujo objetivo é pôr fim ao desmatamento na Amazônia em dez anos. A promessa fará parte do pacote das ambições nacionais de combate às mudanças climáticas, chamado no jargão ambientalista de contribuições nacionalmente determinadas pretendidas, ou INDC (Intended Nationally Determined Contributions). A apresentação será feita antes da abertura oficial do debate, em seu discurso durante a plenária da Conferência das Nações Unidas para a agenda de Desenvolvimento Pós-2015, domingo.
Dilma chega a Nova York na noite desta quinta-feira com recorde de desaprovação, problemas na base aliada e uma forte recessão. Mas a versão inicial de seu discurso não contemplava estes assuntos. A presidente, contudo, pode alterar sua fala até momentos antes de subir ao púlpito. Todos os anos Dilma citou a economia em seus discursos e, coincidentemente, usava a situação fiscal do país para mostrar a "solidez brasileira", que permitia equilíbrio de contas públicas e ampliação de programas sociais. Agora, o Brasil está sem o selo de bom pagador e com dólar a mais de R$ 4, em grande parte por causa dos problemas fiscais do governo.
Como o Código Florestal Brasileiro, lei que rege as florestas nativas, permite que 20% das propriedades privadas na Amazônia sejam desmatadas, o governo brasileiro irá propor um plano de compensação desse desmatamento que continuará ocorrendo legalmente por meio de reflorestamento e restauração de áreas desmatadas no bioma. A meta é mais ambiciosa do que a que Dilma anunciou em junho, ao lado do presidente americano, Barack Obama, mas ambientalistas evitam comemorar.
- É preciso aguardar o detalhamento da INDC, mas, para o Brasil, o que seria ambicioso é desmatamento absoluto zero com emissões líquidas negativas, ou seja, parar completamente de desmatar e sequestrar carbono - disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. (Enviada Especial)
O Globo, 24/09/2015, País, p. 8
http://oglobo.globo.com/brasil/dilma-falara-de-amazonia-na-onu-mas-nao-…
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