OESP, Metrópole, p. A14
01 de Dez de 2015
Dilma defende acordo global obrigatório sobre clima e revisão periódica de metas
Andrei Netto e Giovana Girardi
CORRESPONDENTE E ENVIADA ESPECIAL
PARIS - Líderes políticos de 150 países transformaram a 21.ª Conferência do Clima (COP-21) das Nações Unidas, aberta nesta segunda-feira, 30, em Paris, no maior evento diplomático da história. Em tom de mobilização na luta contra o aquecimento global, apelaram por um acordo climático realista. A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi um dos que defenderam em discurso um entendimento que resulte em obrigações a serem cumpridas pelos países signatários.
Dilma cobrou a adoção de um tratado justo, universal e ambicioso e "legalmente vinculante", ou seja, com caráter obrigatório. "Não é (legalmente vinculante) em um sentido intrusivo, nem punitivo, mas para verificar as condições pelas quais os países estão desenvolvendo suas políticas", disse posteriormente à imprensa.
A presidente Dilma Rousseff discursou na abertura da COP 21 e falou sobre Mariana: 'A ação irresponsável de empresas provocou o maior desastre ambiental na história do Brasil na grande bacia hidrográfica do Rio Doce'
Essa discussão se tornou um dos centros da COP-21 desde que, há duas semanas, os Estados Unidos se manifestaram contrários a um acordo formal. Há sempre no ar o fantasma do Protocolo de Kyoto, que foi barrado no Senado americano por 95 a 0. Além disso, acredita-se que, qualquer que seja o texto aprovado em Paris, se ele precisar da chancela de republicanos (hoje maioria entre os congressistas), não passará.
Em plenária, Dilma disse que o Brasil já teve "experiência de mudanças drásticas no clima", citando a seca do Nordeste, do Sudeste e as chuvas do Sul, e afirmou que o acordo "não pode ser uma simples soma das melhores intenções de todos". Segundo ela, "tem de definir caminhos e compromissos, que devemos percorrer".
A presidente também voltou a defender uma bandeira que é cara ao Brasil, a da diferenciação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. "O princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, é a pedra angular. Deve-se propiciar condições para que todos os países em desenvolvimento possam trilhar os caminhos da economia de baixo carbono, superando a extrema pobreza e reduzindo as desigualdades."
Ela também citou pontos da INDC (jargão para o pacote de compromissos que quase todos os países-membros da Convenção do Clima apresentaram como contribuição à COP) e lembrou que o Brasil já reduziu em 80% o desmatamento da Amazônia. "A INDC do Brasil tem como meta reduzir em 43% as emissões em 2030 em relação a 2005. É sem dúvida muito ambiciosa e vai além da nossa parcela de responsabilidade pelo aumento da temperatura média global", argumentou.
Essa declaração foi mal vista por ONGs ambientalistas. "A presidente se equivoca. A meta brasileira, embora maior do que a de vários países, é claramente insuficiente para conter o aquecimento abaixo de 2oC, como todos os chefes de Estado se comprometeram a fazer", disse Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima.
Convergência. Mais tarde, só para a imprensa brasileira, Dilma defendeu que o acordo de Paris inclua um mecanismo de revisão a cada cinco anos. "Isso pode propiciar uma convergência ao longo do tempo."
Presidente fica fora da TVs, mas País mantém prestígio
Andrei Netto - O Estado de S. Paulo
A fala da presidente Dilma Rousseff na abertura da COP 21 foi obscurecida pela coincidência de importantes líderes políticos se manifestarem ao mesmo tempo. Mas a pouca atenção que o discurso da brasileira despertou não significa que o Brasil esteja em condição desfavorecida na negociação.
Dilma falou no início da tarde, justo no momento em que em outra sala a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, tomava o púlpito. Parceira de primeira hora da França, anfitriã do evento, na União Europeia, a chanceler atraiu as atenções. O discurso de Merkel foi o que parou em todas as TVs. Não bastasse, enquanto Dilma falava o presidente da Rússia, Vladimir Putin, assumiu a palavra na sala da alemã - e o foco.
Mas logo depois o acordo selado com a Noruega, para prorrogação por mais quatro anos do Fundo da Amazônia, com recursos assegurados de US$ 650 milhões, repercutiu bem, como se a COP 21 já gerasse efeitos positivos. Mais tarde, Dilma foi um dos líderes convidados a participar da iniciativa Mission Innovation, na mesma foto com Barack Obama, François Hollande, David Cameron e Shinzo Abbe.
Outro fator que pode reforçar a posição brasileira é o retorno do ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo, convidado de Dilma. Negociador da COP 15, em 2009, ele ainda é referência internacional no tema.
OESP, 01/12/2015, Metrópole, p. A14
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