OESP, Especial, p. H3
21 de Jun de 2012
Dilma comemora consenso em texto final
Para presidente, todos os países devem se unir para implementar as mudanças necessárias para atingir o desenvolvimento sustentável
TÂNIA MONTEIRO
ENVIADA ESPECIAL/RIO
Criticada por comemorar a elaboração de um texto considerado pouco ambicioso, a presidente Dilma Rousseff usou seu discurso de abertura oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, no Riocentro, para dizer que o documento final foi "fruto do consenso" e defender a ação de todos os países para conduzir o mundo para as mudanças necessárias a fim de atingir o desenvolvimento sustentável.
"Sabemos que o custo da inação será maior que outras medidas necessárias, por mais que essas provoquem resistências e se revelem politicamente trabalhosas", disse a presidente para uma plateia de representantes de 193 países, reiterando ainda que todos precisam ser "ambiciosos" e corajosos para promover as mudanças.
Diante do impasse nas negociações, o Brasil acabou assumindo a responsabilidade por produzir um consenso, deixando para trás os conflitos e adiando as resoluções para depois de 2015 - e foi a essas críticas que a presidente fez questão de responder.
Em sua fala, Dilma reconheceu que "várias conquistas de 1992 ainda permanecem no papel" e isso exige de todos os países responsabilidade de agir para mudar este quadro. "Resultados novos exigem novas práticas", afirmou a presidente, insistindo que o texto foi "resultado de grande esforço de conciliação e aproximação de posições para avançarmos em direção ao futuro que queremos".
Após salientar que, antes de tudo, não se pode retroceder em relação aos compromissos assumidos na conferência de 1992, a presidente acrescentou que "não basta manter as conquistas do passado, temos de construir sobre este legado".
Dilma fez questão de defender ainda a realização da conferência neste momento. "A crise financeira e as incertezas que pairam sobre o futuro da economia mundial dão uma significação especial à Rio+20", declarou. A presidente voltou a condenar o modelo de condução da economia pelos países desenvolvidos e reiterou que "as políticas indutoras do crescimento e do emprego constitui a única via segura para recuperação da economia".
Segundo a presidente, "neste momento em que o mundo atravessa os efeitos da mais grave crise econômica, importantes economias enfrentam crescimento muito lento, quando não estão em recessão e sofrem abalos em suas contas públicas e em seus sistemas financeiros, políticas de ajustes atingem a parte mais frágil da sociedade: os trabalhadores, as mulheres, as crianças, os imigrantes, o aposentado, o desempregado, sobretudo, quando se trata de jovens".
Para Dilma, esses são modelos de desenvolvimento que esgotaram sua capacidade de responder aos desafios atuais.
Em sua fala, a presidente lamentou que no processo final de negociação do documento O Futuro que Queremos, que durou do dia 13 até a madrugada de anteontem, não tenha sido possível determinar novos recursos para isso. "A promessa de financiamento do mundo desenvolvido para o mundo em desenvolvimento com vistas à adaptação e mitigação ainda não se materializou, apesar do esforço de algumas nações", afirmou a presidente, ao citar que "os compromisso de Kyoto não foram atingidos".
Na opinião da presidente, no entanto, "o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, consagrado na Rio-92, tem sido recusado na prática, sem ele não há consenso possível sobre mundo mais justo e possível".
Irritação. Dilma, que estava com a aparência bastante cansada e demonstrando mau humor, já que havia chegado de madrugada da viagem ao México, onde participou da reunião do G-20, demonstrou sua irritação no início da reunião da tarde, ao tentar abrir os trabalhos, no Riocentro. A presidente apelou por três vezes no microfone para que os presentes se acomodassem em seus lugares e fizessem silêncio para que a reunião começasse.
Diante da rebeldia dos presentes, que não se calavam, Dilma usou com energia o martelo, batendo-o por três vezes na mesa de reuniões. Pouco depois, ainda diante do barulho da plateia, pediu ao primeiro-ministro chinês que interrompesse seu discurso para que os presentes se calassem e pudessem ouvi-lo falar.
Para entender
Acordo exige apoio unânime
O documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, tem de ser aprovado por consenso pelos representantes de todos os 193 países. Esse sistema, alvo de críticas, dificulta avanços significativos, pois basta um país recusar seu teor para que o evento fracasse.
OESP, 21/06/2012, Especial, p. H3
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,dilma-comemora-consenso-em-…
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,acordo-exige-apoio-unanime-…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.