A Crítica - http://acritica.uol.com.br
Autor: Lúcio Pinheiro
25 de Out de 2011
Em sua terceira visita a Manaus, em dez meses de Governo, a presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou ontem a prorrogação da Zona Franca de Manaus (ZFM) por mais 50 anos e a ampliação dos incentivos fiscais do modelo aos 13 municípios da área de abrangência da Região Metropolitana de Manaus (RMM). O anúncio foi feito durante a inauguração da ponte Rio Negro (Manaus-Iranduba), no dia em que Manaus completou 342 anos de fundação.
As duas medidas foram prometidas por Dilma na campanha eleitoral de 2010. O cumprimento dessas promessas foi classificado pela presidente como "um presente para o povo do Amazonas". "Por que nós trazemos esse presente? Pelo reconhecimento que nós temos de ter à situação do povo do Amazonas. Nós queremos que, aqui, através da Zona Franca, se gerem empregos para os milhões de amazonenses", afirmou Dilma (leia mais sobre o assunto nas páginas A9 e A10).
A presidente enfatizou que a ZFM cria oportunidades de trabalho ao mesmo tempo em que preserva a floresta. E, por isso, o modelo econômico deve ser mantido. O que vem ocorrendo no Governo do PT, defendeu Dilma. "Por isso, a Zona Franca, que o presidente Lula, quando ela estava praticamente sendo encerrada pelos governos anteriores, prorrogou a primeira vez, e agora, dando continuidade a isso, eu faço uma prorrogação de 50 anos", comentou.
À multidão que foi prestigiar a inauguração da obra, que custou R$ 1,099 bilhão, dos quais R$ 586 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dilma garantiu que o Governo Federal dará atenção e oportunidade iguais aos amazonenses. "Estejam certos de que nós sempre estaremos atentos para criar oportunidades iguais, não só para as regiões, mas também para todos os brasileiros e brasileiras", prometeu a presidente.
A inauguração também foi marcada por protestos. O esquema de segurança montado para afastar as manifestações dos olhos da presidente não funcionou. E Dilma teve que interromper o discurso por duas vezes. A primeira por vaias, vinda de grupos insatisfeitos com o reajuste da tarifa de ônibus em Manaus. E depois pelo empurra empurra da multidão próximo ao palanque. "Gente, agora dá um tempinho, não é?", reclamou a presidente.
Acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também participou do evento de inauguração, Dilma chegou a Manaus por volta das 10h. Por volta de 12h30, a presidente embarcou no avião presidencial em direção a Brasília (DF). Lula seguiu para o México. A cerimônia foi antecipada para as 10h para que o ex-presidente pudesse participar.
Omar ameniza atrito sobre 'paternidade'
O governador Omar Aziz (PSD) afirmou ontem que a ponte Rio Negro é um projeto que se concretizou graças à parceria dos governos estadual e federal. Procurando afastar o clima de disputa entre ele e o ex-governador sobre quem é o responsável pela obra, Omar declarou que todos fizeram sua parte. "Cada um fez a sua parte. O Eduardo (Braga) fez muito bem a sua. E eu fui eleito para isso. Para dar continuidade", comentou.
Na semana passada, após Braga usar a programa institucional do PMDB na TV para se apresentar como o pai da ponte, Omar fez uma visita à obra, e apresentou à imprensa o valor investido pela gestão dele no empreendimento. Os números constavam novamente no release distribuído ontem pela assessoria de comunicação do Governo: "Dos recursos diretos dos cofres estaduais, R$ 331 milhões (65%) foram pagos na gestão do atual governador, Omar Aziz. O restante, R$ 182 milhões, foram saudados na gestão do ex-governador Eduardo Braga, idealizador do projeto".
Braga destaca papel da gestão Lula
Governador do Amazonas que iniciou a construção da ponte sobre o rio Negro, há três anos de dez meses, o senador Eduardo Braga (PMDB) agradeceu o Governo Federal, e disse que a obra vai significar mais emprego e renda para os moradores dos municípios do outro lado do rio Negro. "Quero dizer o meu muito obrigado em nome de milhares de amazonenses que passarão a sonhar com emprego e renda. E amanhã concluirá com a prorrogação da Zona Franca", afirmou.
Segundo Braga, a partir do governo do ex-presidente Lula, o cidadão amazonense passou a ser tratado com igualdade, e teve a oportunidade de sonhar. "O sonho de toda uma geração, presidente Lula, começou a ser sonhado quando o senhor chegou à Presidência da República, e começou a resgatar o direito do cidadão brasileiro não ser tratado mais de forma desigual", discursou o senador.
O governador Omar Aziz agradeceu a Lula e a presidente Dilma, mas ressaltou que os dois devem gratidão ao povo do Amazonas, lembrando a votação que obtiveram no Estado.
Luiz Inácio
"Muita gente não confiava"
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a festa de inauguração da ponte Rio Negro para agradecer o voto de confiança que os amazonenses deram à presidente Dilma Rousseff (PT). "Eu tenho a plena convicção que, ao terminar o primeiro mandato dela, da mesma forma quando terminou o meu, vocês vão descobrir que valeu a pena", afirmou.
Lula disse que fez questão de participar da inauguração. "Porque eu sabia do esforço e do sacrifício que o Governo do Estado fez para inaugurar essa ponte. A verdade é que tinha muita gente que não acreditava. Tinha muita gente que colocava em dúvida. E a verdade é que hoje a presidente Dilma veio aqui inaugurar essa ponte", comentou.
No final de 2009, quando a obra estava prevista para ser entregue em março de 2010, Lula disse que participaria da inauguração e fez menção ao senador Alfredo Nascimento (PR), então ministro dos Transportes e candidato ao Governo do Estado. Ontem, fez companhia ao governador Omar Aziz (PSD) que, mesmo sem o apoio dele, derrotou Alfredo nas eleições do ano passado.
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