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Destruicao do solo pela erosao

GM, Opiniao, p.A3
Autor: BARUSELLI, Marcos Sampaio
29 de nov de 2004

Destruição do solo pela erosão
Uma voçoroca leva em média cerca de 10 toneladas de terra por ano. "Os males do Brasil são muita saúva e pouca saúde", já dizia um velho ditado. Se fosse nos dias de hoje, com certeza acrescentaria à lista dos grandes males do Brasil a erosão: "Os males do Brasil são muita saúva, pouca saúde e erosão". A erosão dos solos está presente em todos os biomas brasileiros, desde a Mata Atlântica até a Floresta Amazônica, passando pelos cerrados, caatinga, Pantanal, campos, restingas e manguezais. Em muitas dessas áreas já é possível notar o processo de desertificação por causa do uso inadequado do solo, como é o caso dos campos gaúchos na fronteira com o Uruguai, onde grandes áreas antes agricultáveis já se transformaram em desertos. O risco de degradação e destruição do solo é expressivo em muitas regiões do Brasil devido à elevada suscetibilidade à erosão da maioria dos nossos solos, classificados hoje em mais de 250 tipos. A degradação acentuada com a presença de erosão e de voçorocas já pode ser observada nos solos dos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, entre outros, em função de uma ação antrópica (ação do homem sobre a vegetação) incorreta. Somente no Estado de São Paulo, o número de voçorocas a ser controladas - segundo a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), é de 2.250, sendo que 1.500 bacias hidrográficas necessitam de intervenção, com custo estimado do programa de recuperação de mais de US$ 120 milhões. Para se ter uma idéia do tamanho do desastre, em média uma voçoroca leva cerca de 10 toneladas de terra por ano. O problema da degradação dos solos não ocorre apenas no Brasil. A ONU calcula que o total de solos degradados no mundo é de 2 bilhões de hectares - área do tamanho dos EUA e Canadá juntos. E o avanço da catástrofe é de 20 milhões de hectares por ano. Os principais agentes causadores da degradação do solo, segundo a ONU, são pastejo excessivo, descuido das práticas de conservação do solo e desmatamento sem critérios técnicos. No que diz respeito ao desmatamento, dados da Embrapa de 1996 informam que as florestas tropicais estão reduzidas a 44% de sua área original e que o Brasil está entre os países que mais desmatam suas florestas no mundo. O solo é um dos recursos naturais mais duramente castigados pelo desmatamento desordenado. As queimadas, quando praticadas em larga escala, retiram os nutrientes do solo, desprotegendo e diminuindo sua fertilidade e proporcionando as erosões. Estas, por sua vez, causam assoreamento de rios, lagos e represas, originando as inundações. Dos mais de 200 milhões de hectares de pastagens existentes no Brasil, a perda de solos por processos erosivos é estimada em mais de 3 bilhões de toneladas por ano. Em suma, para a construção de uma agropecuária sustentável devemos todos, governo e sociedade juntos, respeitar a estrutura do solo e evitar que seja danificado. kicker: Na fronteira com o Uruguai, áreas antes agricultáveis se transformaram em desertos (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3)(Marcos Sampaio Baruselli - Zootecnista.)

GM, 29/11/2004, p. A3

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