Um só Planeta - umsoplaneta.globo.com
Autor: Nilson Cortinhas , Um Só Planeta
18 de Mai de 2026
A redução de 25% no desmatamento em terras indígenas da Amazônia Legal em 2025 é um dos principais sinais recentes de freio sobre a devastação da floresta. Mas, os números revelam também uma dinâmica que preocupa órgãos de monitoramento: o avanço do crime ambiental continua concentrado em áreas estratégicas da Amazônia.
Dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), divulgados pelo ClimaInfo, mostram que o corte raso em Terras Indígenas (TIs) caiu de 40.178 hectares em 2024 para 30.128 hectares em 2025. No corte raso, toda a vegetação é removida, geralmente para abertura de pasto ou avanço da agropecuária.
Apesar da queda, metade de toda a devastação registrada ocorreu em apenas 13 dos 395 territórios indígenas monitorados pela Funai na Amazônia Legal. O dado reforça que a pressão de atividades ilegais, como garimpo, extração clandestina de madeira, grilagem e ocupação irregular de terras públicas, permanece intensa em regiões específicas da floresta.
De acordo com o relatório, 324 Terras Indígenas, o equivalente a 82% das áreas acompanhadas pelo órgão, registraram algum tipo de corte raso em 2025.
Os territórios mais afetados estão distribuídos entre Maranhão, Pará, Mato Grosso, Amazonas e Roraima, em áreas localizadas no chamado "arco da devastação", faixa da Amazônia historicamente pressionada pelo avanço da agropecuária e pela exploração ilegal de recursos naturais.
Assine aqui a nossa newsletter
Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade.
Cadastrar meu email
Destruição vai além do corte raso
Os dados da Funai mostram ainda que a destruição da floresta não ocorre apenas quando há remoção total da vegetação.
Além dos 30 mil hectares de corte raso, o relatório identificou 43 mil hectares de degradação florestal, casos em que há exploração seletiva da mata, principalmente retirada ilegal de madeira. Outros 8,5 mil hectares atingiram áreas em regeneração, onde a floresta tentava se recompor após danos anteriores.
Somadas, as três categorias de impacto ambiental chegaram a 82 mil hectares afetados em Terras Indígenas da Amazônia Legal em 2025.
O volume ainda representa redução de 36% em relação aos 128 mil hectares atingidos em 2024, mas reforça que a pressão sobre os territórios indígenas permanece diversificada.
A degradação florestal é considerada especialmente preocupante por pesquisadores porque muitas vezes ocorre de forma menos visível que o corte raso tradicional. Mesmo sem derrubar completamente a floresta, compromete biodiversidade, estoques de carbono, equilíbrio climático e capacidade de regeneração dos ecossistemas.
Queimadas concentradas em poucos territórios
O levantamento da Funai também aponta que 195 Terras Indígenas da Amazônia Legal sofreram impactos de queimadas em 2025.
Assim como ocorre com o desmatamento, os incêndios ficaram concentrados em poucos territórios. Seis áreas responderam por metade de toda a superfície queimada registrada no período: Parque do Araguaia, Raposa Serra do Sol, São Marcos, Parambubure, Parque do Tumucumaque e Kraolândia.
Siga o Um só Planeta:
https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/05/18/desmate…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.