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Desmatamento no Brasil fica abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019

Valor Econômico - valor.globo.com
Autor: Daniela Chiaretti — De São Paulo
27 de Mai de 2026

O desmatamento no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em 2025. É a primeira vez que isso acontece desde 2019, quando foi iniciada a série histórica do MapBiomas Alerta. O desmatamento, nos seis biomas brasileiros, caiu 20,6% em relação a 2024, o que é um marco no monitoramento do desmatamento. Há, porém uma má notícia: a área média desmatada no Brasil é de 2.698 hectares por dia. Isso equivale a 17 parques Ibirapuera de vegetação nativa sendo desmatados diariamente no País.

Todos os biomas registraram queda no desmatamento em 2025. Amazônia e Cerrado são os biomas mais desmatados no ano -juntos representam 84% de toda a área no Brasil. O Cerrado continuou à frente e sozinho representou quase 55% do total.

O Pantanal, na outra ponta, registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas -quase 50% de queda em relação à área desmatada em 2024.

Os dados fazem parte da sétima edição do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025). "O RAD permite que a gente tenha um panorama muito completo de quando, onde e como aconteceu o desmatamento no Brasil", diz Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas. "O RAD 2025 traz um raio-x de tudo o que aconteceu com o desmatamento em 2025 e também uma perspectiva histórica do acumulado desde 2019."

Os quatro Estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) junto com Mato Grosso respondem por 63% da área total desmatada no Brasil em 2025, destaca a ecóloga Natalia Crusco, pesquisadora do MapBiomas Alerta.

Nos últimos sete anos, o Brasil perdeu mais de 10 milhões de hectares de vegetação nativa. Para ter uma ideia, essa área é maior que a de Pernambuco. No acumulado de 2019 a 2025, o Pará é o Estado que mais desmatou: mais de 2 milhões de hectares de vegetação perdida no período. Em 2025, contudo, o Pará registrou queda de 40% em relação a 2024.

O principal motivo do desmatamento, dizem os pesquisadores, é a expansão da agropecuária. Foi o vetor responsável por mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa nos últimos sete anos. "Este vetor de pressão responde por 99% da vegetação nativa perdida no Brasil em 2025", diz a nota à imprensa.

O relatório faz um destaque à regulamentação da União Europeia (conhecida pela sigla EUDR), que restringe a entrada no mercado europeu de produtos provenientes de florestas que tenham sido desmatada a partir de 31 de dezembro de 2020. "Foram identificados cerca de 7 milhões de hectares desmatados depois de 31/12/2020", diz o RAD2025.

"Essa restrição pode atingir quase 264 mil imóveis que têm desmatamento a partir de 2021 e estão em área de floresta ou de savana", diz Natalia Crusco.

Outro destaque interessante do relatório é que 99% de toda a área desmatada associada ao garimpo está na Amazônia, com maior concentração no Pará. Desmatamentos associados a empreendimentos de energia renovável, por sua vez, estão concentrados na Caatinga (97%).

O Cerrado é responsável por 35% da área desmatada relacionada à expansão urbana. Outro dado é que 70% do desmatamento do Cerrado está dentro dos quatro Estados do Matopiba.

O Maranhão lidera o ranking do desmatamento pelo terceiro ano, mesmo com redução de quase 30% da área desmatada em 2025. Piauí é o segundo colocado, seguido pela Bahia. Depois vêm Tocantins, Mato Grosso, Pará e Amazonas.

Dos 5.572 municípios no Brasil, mais da metade (2.932) teve pelo menos um evento de desmatamento em 2025.

Os dez municípios que mais desmataram no ano passado respondem, em conjunto, por 15% do total no País. Os quatro primeiros estão todos no Piauí: Canto do Buriti, Guadalupe, Uruçuí e Baixa Grande do Ribeiro.

A velocidade do desmatamento é ainda surpreendente. Na Amazônia ó ritmo da perda foi de cinco árvores por segundo. O dia com maior área desmatada no Brasil em 2025 foi 28 de maio. Em um único dia, diz o RAD, desmatou-se o equivalente a quase 4 mil campos de futebol no país.

Houve uma redução de 21,4% no desmatamento dentro de unidades de conservação em relação a 2024. Mas 8,6% das áreas de preservação registraram pelo menos um evento de desmatamento em 2025. Nas terras indígenas também se observou uma redução de 22% no desmatamento em relação a 2024. Mas pelo menos 30% das terras indígenas brasileiras tiveram ao menos um evento de desmatamento no ano passado.

O relatório também observou desmatamento em imóveis que têm Cadastro Ambiental Rural (CAR) e estão no Sicar (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural). De todos os imóveis registrados no Sicar, 0,6% teve algum registro de desmatamento. "Quase a totalidade dos imóveis não tem desmatamento registrado em 2025", diz a pesquisadora. "Mas esse 0,6% é responsável por 85% de toda área desmatada no Brasil no ano passado", segue. "O fenômeno do desmatamento é localizado em poucos", diz Tasso Azevedo.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/05/27/desmatamento-no-brasi…

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