Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) - imazon.org.br
20 de Nov de 2025
Enquanto sedia a maior conferência sobre mudanças climáticas do mundo, a COP30, em Belém, a Amazônia brasileira comemora uma queda significativa no desmatamento. A derrubada da floresta passou de 419 km² em outubro de 2024 para 237 km² em outubro de 2025, 43% a menos. Essa foi a menor área devastada no mês dos últimos seis anos, desde 2019. Os dados são do instituto de pesquisa Imazon, que monitora a região por imagens de satélite desde 2008, por meio do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD).
Além disso, outubro foi o quinto mês consecutivo com queda na derrubada da Amazônia, o que deixou o acumulado do ano 28% menor do que em 2024. No ano passado, foram detectados 3.490 km² de desmatamento de janeiro a outubro. Já neste ano, no mesmo período, o sistema identificou 2.530 km² de derrubada florestal.
Coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, o pesquisador Carlos Souza Jr. alerta para o fato de que outubro é o terceiro mês do chamado calendário de desmatamento de 2026, que vai de agosto de 2025 a julho de 2026. "Considerando o acumulado dos três primeiros meses do calendário, há redução de 44% no desmatamento até o momento. Tendência de redução muito positiva para que o país caminhe rumo ao cumprimento da meta de desmatamento zero até 2030", comemora. Além disso, a queda de desmatamento pode resultar em benefícios com a aplicação dos mecanismos de finanças florestais propostos na COP30.
Manter as florestas tropicais em pé é uma das pautas fortemente defendidas pela comunidade científica durante a COP30, já que esses ecossistemas capturam grandes quantidades de carbono, contribuindo para o controle das mudanças climáticas. Por isso, é urgente que os países apresentem na conferência roteiros para simultaneamente eliminar os combustíveis fósseis e o desmatamento. Além disso, pesquisadores do clima defenderam na COP30 que, como a maior parte das florestas tropicais intactas está em países em desenvolvimento, o roteiro para acabar com o desmatamento precisa incluir apoio financeiro, capacitação e monitoramento robusto.
Degradação caiu 92% em outubro
Além da queda no desmatamento, a Amazônia teve uma redução ainda mais significativa na degradação florestal, dano causado pelo fogo e pela exploração madeireira. Dados do Imazon mostram que as florestas degradadas passaram de 6.623 km² em outubro de 2024, quando houve uma alta significativa nas queimadas, para 516 km² em outubro de 2025, o que representa 92% a menos.
Com isso, o acumulado de degradação de janeiro a outubro fechou com queda de 87% em relação a 2024, ano em que os incêndios florestais fizeram com que a Amazônia tivesse a maior área degradada desde 2009, quando o Imazon começou a monitorar esse dano ambiental. Nos primeiros 10 meses do ano passado, a região teve 32.869 km² degradados. Já neste ano, foram 4.282 km².
Já no calendário de desmatamento de 2026, que vai de agosto de 2025 a julho de 2026, a redução da degradação é ainda maior: 93%.
Pará liderou no desmatamento e Mato Grosso na degradação
Apesar da queda de 14% no desmatamento em outubro, o Pará foi o estado com a maior área devastada no mês: 113 km², o que corresponde a 48% de toda a derrubada registrada na Amazônia. Já em relação à degradação, o campeão foi Mato Grosso, com 62% das florestas degradadas na região.
Desmatamento por estado, em km²
Estado Outubro de 2024 Outubro de 2025 Variação
Pará 131 113 -14%
Roraima 20 36 80%
Amazonas 45 25 -44%
Mato Grosso 148 20 -86%
Maranhão 10 18 80%
Acre 51 16 -69%
Rondônia 13 7 -46%
Amapá 1 1 -
Tocantins - 1 -
Degradação por estado, em km²
Estado Outubro de 2024 Outubro de 2025 Variação
Mato Grosso 2.241 320 -86%
Pará 2.854 130 -95%
Roraima 40 51 28%
Acre - 5 -
Maranhão 218 4 -98%
Tocantins 102 3 -97%
Amapá - 3 -
Amazonas 1.082 - -
Rondônia 86 - -
Veja aqui o boletim do Sistema de Alerta de Desmatamento - Outubro de 2025
https://imazon.org.br/noticias/desmatamento-na-amazonia-cai-43-em-outub…
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