O Globo, Ciência, p. 49
25 de Nov de 2007
Desmatamento é grande causa do aquecimento
Queimadas colocam o Brasil entre maiores emissores de CO2
A acelerada destruição das florestas tropicais que formam uma faixa em torno do equador da Terra é reconhecida como uma das principais causas das mudanças climáticas. O desmatamento representa um quinto das emissões de carbono - mais do que todo o setor de transportes, incluindo a indústria da aviação.
As queimadas de árvores lançam tanto CO2 na atmosfera quanto os Estados Unidos e colocam a Indonésia e o Brasil entre os quatro maiores emissores do mundo.
Além disso, os esforços para evitar o desmatamento não foram incluídos no Acordo de Kioto. O tratado expira em 2012, e a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas a ser realizada em Bali, no próximo mês, tem como missão trabalhar num acordo para sucedê-lo que funcione de fato.
O Relatório Stern, um marco na área ao relacionar as mudanças climáticas às economias dos países, concluiu que as florestas oferecem a única forma eficaz, e com uma relação custo-benefício possível, de reduzir emissões de CO2 imediatamente.
Mas a lacuna entre a retórica e a realidade permanece grande para pequenas nações como a Guiana.
- Me enfurece escutar discursos grandiosos e vazios no mundo desenvolvido - afirmou o presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo. - Apesar do Relatório Stern, a gente imagina se eles realmente acreditam que impedir o desmatamento é a forma mais eficaz de combater as mudanças climáticas.
Floresta abriga madeira nobre e ouro
Hylton Murray-Philipson, coordenador da organização Rainforest Concern, baseada em Londres, afirmou que um acordo como esse pode representar um atalho importante:
- Na ausência de um acordo internacional, uma iniciativa dessas, tomada por líderes iluminados, pode ser muito bem-vinda. Negócios tradicionais não vão funcionar.
O ex-investidor financeiro, que atualmente reúne fundos para o emergente mercado de carbono, afirmou ainda:
- É insano que uma única empresa de serviços, a Google, tenha um mercado avaliado em US$ 200 bilhões, enquanto todos os serviços de todas as grandes florestas do mundo estejam avaliados em nada.
As pressões para explorar ouro e a madeira das florestas do país aumentam a cada dia no empobrecido país, o único da América Latina de língua inglesa.
- Talvez devéssemos simplesmente cortar as árvores.
Então alguém reconheceria o problema - concluiu o presidente. - Mas quero acreditar que as aspirações do nosso povo podem ser alcançadas sem desmatamento.
O Globo, 25/11/2007, Ciência, p. 49
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