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Desertos ameaçam um terço da Terra

O Globo, Ciência e Vida, p. 30
16 de jun de 2004

Desertos ameaçam um terço da Terra

Os desertos avançam cada vez mais, reduzindo a pó amplas zonas agrícolas do planeta e obrigando milhões de pessoas a buscarem regiões mais férteis ou as cidades, alertou ontem a Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a ONU, um terço da superfície terrestre se encontra sob ameaça de desertificação.
Cerca de 30% da superfície da Espanha corre o risco de se transformar em deserto, enquanto a China já perdeu 93.240 quilômetros quadrados - uma superfície similar à área de Portugal - desde a década de 50.
Esta semana foi celebrado na ONU o décimo aniversário da Convenção para Combater a Desertificação, cujo objetivo era refrear o fenômeno. A despeito do acordo, no entanto, o avanço dos desertos parece estar aumentando de velocidade. Segundo a instituição, o ritmo da desertificação dobrou desde a década de 70.
Fenômeno ameaça deslocar 135 milhões
De meados da década de 90 até o ano 2000, 3.436 quilômetros quadrados se transformaram a cada ano em deserto. A cifra supera em muito os 2.100 quilômetros quadrados anuais registrados na década de 80 e os 1.560 quilômetros quadrados dos anos 70.
- É uma catástrofe que avança pouco a pouco - afirmou Michael Smitall, porta-voz do Secretariado das Nações Unidas que supervisiona o cumprimento do acordo, firmado em 1994. - Áreas inteiras do mundo podem se tornar inabitáveis.
Segundo os especialistas, as principais causas do fenômeno são a agricultura sem planejamento, o pouco interesse pela conservação, o excesso de utilização da água disponível e a explosão demográfica. Sem falar no aquecimento global.
A ONU estima que até 2025 dois terços das áreas cultivadas da África terão desaparecido, juntamente com um terço dos terrenos destinados à agricultura na Ásia e um quinto na América do Sul. Com isso, 135 milhões de pessoas - o equivalente às populações da França e da Alemanha reunidas - podem ser forçadas a se deslocar.
Para chamar a atenção do mundo para o problema, as Nações Unidas vão celebrar na próxima sexta-feira, em Bonn, na Alemanha, o Dia Mundial de Luta Contra a Desertificação. A ONU está organizando ainda uma reunião em Brasília, entre os dias 21 e 25 de junho para examinar a fundo o problema.
O processo de desertificação no mundo
As áreas que apresentam o maior risco de se tornarem desertos são as localizadas em regiões secas, próximas a desertos, onde a população já encontra dificuldades para o cultivo. Os dois maiores exemplos são o entorno do deserto do Saara, na África, e o de Gobi, na China.
À medida que as populações dessas áreas aumentam, as condições do solo se tornam ainda mais difíceis. As famílias cortam mais árvores para utilizar a madeira como combustível, mais animais se alimentam do pasto e a água se torna menos abundante e mais suja.
Com o tempo, essas áreas limítrofes se tornam menos férteis e mais extensas. O aumento das temperaturas provocado pelo aquecimento global contribui para agravar o problema.
O problema já ocorreu antes. Segundo especialistas, o Saara já foi uma savana.

O Globo, 16/06/2004, Ciência e Vida, p. 30

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