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Desertificacao e tema de debate

GM, Saneamento & Meio Ambiente, p.A10
16 de jan de 2004

Desertificação é tema de debate
Grupo de trabalho se reúne para avaliar riscos ao Polígono das Secas. A ameaça da desertificação paira sobre pelo menos 10% da região semi-árida brasileira, o chamado Polígono das Secas, área de 900 mil km² que atinge nove estados nordestinos e o norte de Minas Gerais. Pernambuco, com 90% de sua área suscetível ao problema, está sediando a segunda reunião do grupo de trabalho interministerial responsável pela coordenação do Plano de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PAN-LCD), que começou ontem e terá continuidade hoje, em Recife.
O plano, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), servirá para integrar as secretarias de Meio Ambiente dos estados do semi-árido, as organizações da sociedade civil e o próprio ministério, com o objetivo de implementar ações de combate à desertificação. A primeira reunião do grupo de trabalho, realizada em Brasília em novembro do ano passado, traçou como linhas mestras a necessidade de se levantar informações sobre a seriedade da situação das regiões semi-áridas e as ações já em andamento nos municípios.
Agora, o grupo deverá discutir como trabalhar a questão a médio e longo prazo, e também os mecanismos para a captação de recursos no mercado internacional para financiamento de projetos. "Como desafio, temos a obrigação de formular iniciativas que levem em consideração a convivência com a seca, que é uma realidade do clima da região", diz Alexandrina Sobreira, secretária executiva de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco (SECTMA).
No segundo semestre de 2003, a Organização das Nações Unidas destinou US$ 100 mil para a elaboração do PAN-LCD, que deverá abranger ações com ênfase em conscientização ambiental para as comunidades rurais, alternativas para geração de renda, recuperação e prevenção de áreas degradadas. Segundo Alexandrina, a questão ambiental da desertificação não é sinônimo de planejamento de recursos hídricos, pois implica em preservação do solo, da flora e fauna. "O manejo inadequado das práticas agrícolas é a principal causa da tendência à desertificação no Nordeste. Por isso é importante levar conhecimento e alternativas de trabalho à população das áreas rurais", afirma.
Rádio comunitária
O projeto de combate à desertificação de Pernambuco, iniciado em 2002, será apresentado ao grupo interministerial como exemplo a ser seguido nos demais estados do semi-árido. Com verba inicial de R$ 2 milhões do governo estadual, mais US$ 50 mil do Comitê Interamericano para o Desenvolvimento Agrícola (Cida), órgão ligado à ONU, a iniciativa abrange 11 municípios do interior pernambucano e atende a 580 famílias. Trata-se de um projeto integrado de conservação do solo direcionado aos agricultores, que optam por atividades que não ocasionem desgaste ao solo, como apicultura e avicultura, ao contrário da agricultura de subsistência ali praticada.
Inclui ainda a construção de cisternas para abastecimento das comunidades e de fossas sépticas nas casas, além da capacitação da mão-de-obra feminina. À frente de rádios comunitárias, as mulheres do semi-árido foram encarregadas de difundir a preocupação com o bom uso dos recursos naturais do sertão. "É um projeto barato, que não ultrapassa os R$ 5 mil por família, e tem o poder de dar dignidade às famílias", enfatiza a secretária executiva.
De acordo com diagnóstico elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, as perdas econômicas podem chegar a US$ 800 milhões por ano, e os custos para a recuperação das áreas devem alcançar US$ 2 bilhões para um período de 20 anos.

GM, 16-18/01/2004, p. A10

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