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Desertificação avança na América Latina e Caribe

GM, Nacional, p. A8
31 de ago de 2005

Desertificação avança na América Latina e Caribe

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 25% do total das terras da América Latina e Caribe estão em franco processo de desertificação, com uma população afetada estimada em 140 milhões, de um total de 500 milhões de habitantes. Em termos absolutos, na África o problema é maior, mas nos países latino-americanos ele é crescente, segundo o coordenador da ONU para a convenção na América Latina, Sérgio Zelaya, que aponta o Peru e a Bolívia como os casos mais graves.
Parte da responsabilidade, no entanto, cabe aos países desenvolvidos que, na avaliação da ONU, não cumprem totalmente com o compromisso de ajudar no combate à desertificação e aos efeitos da seca. Há 10 anos eram necessários US$ 42 bilhões para combater o problema, hoje, o valor é bem maior, de acordo com a ONU. O alerta foi feito durante a X Reunião do Grupo de Países da América Latina e Caribe de Combate à Desertificação (UNCCD), que se encerra hoje em São Luís.
Esta é uma reunião preparatória para encontro a ser realizado em outubro, em Nairob (Quênia), onde serão levadas propostas de combate à desertificação, com inclusão social e preservação ambiental. Iniciado na segunda-feira, o evento em São Luís contou com a presença da ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, de representantes da ONU e de 33 países da América Latina e Caribe.
Para o secretário da ONU para a Convenção de Combate à Desertificação, Grégoire de Kalbermatten, falta uma conscientização dos países desenvolvidos para a questão da desertificação. "A prevenção é menos custosa. Por isto é melhor atuar hoje e não amanhã."
A convenção tem como prioridade discutir uma agenda de trabalho que inclui América Latina, Caribe, África, Europa, Ásia e países do Pacífico, além de levantar fundos no âmbito internacional para combater o problema. O artigo no 6 da Convenção obriga os países desenvolvidos a contribuírem efetivamente para as prioridades dos países em desenvolvimento. Por outro lado, todos os países têm como obrigação criar um programa de ação nacional. O Brasil lançou, em setembro de 2004, o Programa Nacional de Combate à Desertificação (PAN-Brasil), que prevê investimentos na ordem de R$ 20 bilhões até 2007.
Os recursos são destinados à recuperação ambiental, infra-estrutura, irrigação, produção, educação e outras ações. "Agora estamos na fase de implementação", disse Marina.

GM, 31/08/2005, Nacional, p. A8

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