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Descoberta nova espécie de primata na Amazônia

Amazônia Real - http://amazoniareal.com.br/
Autor: Jean Boubli
04 de Ago de 2014

Em pleno século 21, ainda há muito o que explorar e descobrir na Amazônia. Recentemente, eu e meus colegas descobrimos uma nova espécie de primata em uma expedição na Floresta Tropical: o Aracá Uakari.

Para conseguirmos proteger a biodiversidade ameaçada do nosso planeta nós precisamos saber o que temos e entender bem a ecologia dos organismos, assim como, os fatores que influenciaram a sua abundância e distribuição ao longo do tempo.

Nos últimos 10/15 anos temos presenciado um aumento jamais visto de descobertas e descrições científicas de novas espécies. Enquanto alguns desses achados resultam de profundas investigações de taxonomia e do aumento do uso de técnicas moleculares, os mais surpreendentes são fruto de expedições científicas em regiões pouco exploradas ao redor do mundo, em particular, a Amazônia.

Com tanta coisa para ser descoberta ainda, e com a rapidez da destruição de habitats, cientistas precisam trabalhar de maneira mais flexível e com equipes multidisciplinares para conseguirem abordar todas as questões relevantes, desde conservação "in loco" até a mais moderna genômica molecular em laboratório. Por este motivo, parcerias de pesquisa entre instituições internacionais estão se tornando cada vez mais importante, já que aprofundamos nosso entendimento de biodiversidade e suas ameaças atuais e futuras na Amazônia.

Recentemente, a Universidade de Salford assinou duas parcerias muito importantes com instituições brasileiras chaves no estudo da Biodiversidade. A primeira, feita com a Universidade Federal do Pará, tem o foco na diversidade de primatas e em filogenética, incluindo descrições de novas espécies na bacia Amazônica. Tal parceria contribuirá com um projeto internacional (NSF-FAPESP) já em andamento, que deve durar cinco anos. A previsão de investimento é de um milhão de dólares, que serão investidos anualmente no estudo da origem da diversidade das espécies na Amazônia. Minha pesquisa tem foco na Biologia Tropical, com especial interesse em primatas nos últimos 20 anos. Estou bastante animado com esse estudo e com a oportunidade de continuá-lo junto com um dos grupos líderes em estudos sobre a Biodiversidade Amazônica.

A segunda parceria foi feita com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e tem como foco o monitoramento da biodiversidade. Juntos, INPA e Universidade de Salford, esperam padronizar os processos de monitoramento da biodiversidade para apoiar os esforços de conservação e para melhorar o impacto das mudanças climáticas.

Para nós, como uma universidade, ambas parcerias oferecem oportunidades fantásticas aos nossos pesquisadores líderes mas, também, para nossos pós-graduandos que, a partir dessa iniciativa, poderão conduzir pesquisas de campo na Amazônia junto com equipes de cientistas multidisciplinares. Além disso, esperamos oferecer aos pesquisadores brasileiros uma nova abordagem em estudos de biodiversidade, incluindo descrições de novas espécies, testes de hipóteses taxonômicas, monitoramento de habitats e conservação. Deste trabalho em conjunto, esperamos contribuir com os esforços para preservar e proteger o biota amazônico, que é único.

Jean Boubli é doutor em ecologia animal, professor da Faculdade de Meio Ambiente da Universidade de Salford e pesquisador do Ciência Sem Fronteiras. Também foi diretor da Wildlife Conservation Society.

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