O Globo, Ciência, p. 40
14 de Set de 2012
A descoberta do macaco louro
Espécie é a primeira de primata achada na África em mais de duas décadas
Alicia Rivera
Do El Pais
No coração da selva tropical africana, numa região pouco explorada da República Democrática do Congo, cientistas encontraram um macaco até agora desconhecido. Trata-se de uma nova espécie de primata, que chamaram de Cercopithecus lomamiensis, mas à qual se referem por seu nome popular, lesula. Os pesquisadores também o chamaram de macaco louro.
John e Terese Hart viram um exemplar do macaco pela primeira vez em 2007, em cativeiro, na casa de um professor, na cidade de Opala. A partir daí, deram início a uma busca sistemática ao animal em seu habitat. Ao longo de cinco anos, reuniram as informações necessárias para fazer, agora, uma apresentação científica. Trata-se do primeiro macaco descrito na África em 28 anos, segundo a revista "Plos One", onde o trabalho foi publicado.
De tamanho médio (de 47 a 65 cm para os machos; e de 40 a 42 cm para as fêmeas), com as extremidades grandes e o corpo delgado, os lesula andam, sobretudo, pelo chão da floresta, ainda que, de vez em quando, se aventurem nos galhos mais baixos. São animais tranquilos, que vivem em grupos reduzidos, de cerca de cinco exemplares, formados, basicamente, de um macho, uma fêmea e suas crias. São sociáveis; os cientistas os flagraram em grupos com outras espécies de primatas para se alimentarem. Comem folhas, frutos, brotos e algumas plantas herbáceas.
O lesula é parecido com o macacocara-de-coruja (Cercopithecus hamlyni), mas tem características diferentes, sobretudo na coloração do pelo, que vai do cinza rosado ao marrom, com toques de âmbar. O casal Hart (pesquisadores da Fundação Lukuru, do Congo, e do Museu Peabody, dos EUA), junto com colegas de várias outras instituições de ambos os países, observaram um total de 48 animais da nova espécie, que vivem numa área de 17 mil quilômetros quadrados de selva, junto à bacia do rio Lomami, uma região de grande variedade de primatas e endemismos. Sua voz de tom bastante grave também foi registrada.
Análises genéticas confirmaram que se trata mesmo de uma nova espécie, diferente de seu parente mais próximo, o C. hamlyni. "Ele é tímido", escreveram os cientistas. "Foi o primata observado com menos frequência nas campanhas de reconhecimento."
O Globo, 14/09/2012, Ciência, p. 40
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