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Derivados do babacu tem mercado externo

OESP, Economia, p. B6
24 de Mar de 2004

Derivados do babaçu têm mercado externo
Quebradeiras do coco formam cooperativas e já exportam óleo usado em cosméticos

FLÁVIA MOURA
Especial para o Estado

SÃO LUÍS - "Ei, não derrube as palmeiras; ei, não devore os palmeirais. Tu já sabe que não pode derrubar, precisamos preservar as riquezas naturais." Embaladas pelas cantigas, as quebradeiras de coco babaçu, do interior do Maranhão, enfrentam sol, chuva e os fazendeiros todos os dias para conseguir entrar nas áreas particulares, onde estão concentrados os maiores babaçuais do país - mais de 10 milhões de hectares, isto é, 70% das reservas do Brasil - para coletar o fruto e retirar a amêndoa.
O beneficiamento do babaçu é responsável pela manutenção da renda de mais de 800 famílias na região chamada do Médio Mearim, a 300 quilômetros de São Luís. Do babaçu, elas aproveitam tudo. Da amêndoa, são extraídos o óleo e o mesocarpo, uma espécie de farinha rica em nutrientes. Da casca, é preparado o carvão. Da palha, é feito o artesanato ou mesmo o telhado das casas, e das fibras, o papel reciclado para embalar o sabonete, confeccionado artesanalmente também por elas a partir do óleo e algumas essências naturais.
Organizadas em cooperativas desde o início da década de 90, as quebradeiras começam a entrar no mercado do consumidor consciente, novo conceito que valoriza a compra dos produtos a partir da história que ele carrega.
Atualmente, por intermédio da Embaixada Babaçu Livre, entidade criada há um ano, com sede em São Luís, elas já exportam óleo, a ser utilizado em cosméticos e derivados, como o sabonete, por empresas da Inglaterra e Estados Unidos, e negocia a venda do mesocarpo para a Itália, onde é usado no tratamento de problemas relacionados aos ossos, como artrite e artrose.
Segundo o técnico administrativo da Assema (Associação dos Trabalhadores das Áreas de Assentamento do Estado do Maranhão), Valdener Miranda, a venda dos derivados do coco aumentou 100% no mercado interno e 20% no mercado externo nos últimos 5 anos. Em 2003, as cooperativas ligadas à Assema produziram 180 toneladas de óleo, sendo que 58 toneladas abasteceram o mercado internacional.
Também no ano passado, foram exportados cerca de 10 mil sabonetes para a Europa e os Estados Unidos,

OESP, 24/03/2004, Economia, p. B6

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