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Deputados do PT vao processar madeireiros

OESP, Nacional, p.A2
14 de Jun de 2005

Deputados do PT vão processar madeireiros
Parlamentares negam denúncia de corrupção para arrecadar caixa de campanha no PA
Carlos Mendes
Especial para o Estado

BELÉM - Os deputados Zé Geraldo (federal) e Airton Faleiro (estadual), do PT do Pará, apontados pela revista Veja como envolvidos num esquema de corrupção com madeireiros para arrecadar R$ 2 milhões e bancar a candidatura de prefeitos do partido na região da Transamazônica, afirmam que vão processar seus acusadores.
Os dois negam as denúncias e querem que os denunciantes apresentem provas. "Antes de sair essa matéria, ouvi que o Sindifloresta (entidade dos madeireiros) iria pagar até R$ 1 milhão à Veja para liquidar o PT", contra-ataca Zé Geraldo.

Faleiro se diz "surpreso e indignado" com a denúncia e afirma que sempre lutou contra a devastação da Amazônia e as madeireiras ilegais. "Não peguei dinheiro e, se alguém pegou, quero que isso fique esclarecido." Zé Geraldo admite que receber doação, seja de quem for, para campanha eleitoral "não tem nada demais", se tudo estiver na prestação e contas do partido. O Sindifloresta, segundo o deputado, fez a denúncia porque teve seus interesses contrariados após a suspensão dos planos de manejo de seus madeireiros pelo Ibama.

Zé Geraldo anunciou que pedirá ao ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos, que a Polícia Federal, responsável há dez meses por investigações no sudoeste do Pará sobre envolvimento de pessoas com corrupção e devastação da floresta, revele o resultado de seu trabalho. "Há mais de 300 madeireiros e outras pessoas da região com seus telefones grampeados e sob investigação. Eu mesmo estou com meu telefone grampeado pela Polícia Federal."

O superintendente da PF no Pará, José Sales, disse ao Estado que o deputado não teve seu telefone grampeado, mas confirmou a investigação sobre o setor madeireiro do sudoeste paraense. O gerente executivo do Ibama em Santarém, Paulo Maier, também citado na denúncia de Veja, nega qualquer ilegalidade.

OESP, 14/06/2005, Nacional, p. A2

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