Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
15 de Mar de 2005
A idéia de inserir os índios na agricultura empresarial e modificar o perfil sócio-econômico das comunidades nasceu através do deputado federal Rodolfo Pereira e do senador Augusto Botelho, ambos do PDT. Eles fizeram os projetos e alocaram recursos ao Orçamento da União para lavouras de cem hectares de arroz irrigado no Contão; cinqüenta hectares de feijão no Flechal; cinqüenta hectares de mandioca no Manoá e cinqüenta hectares de feijão caupi no Sucuba.
Desde a apresentação das emendas dois anos atrás, os parlamentares não conseguiram liberar os recursos. Conforme Rodolfo Pereira, em vista disso, foi proposta a parceria à Associação dos Arrozeiros através de iniciativa piloto na Maloca do Contão. Os arrozeiros aceitaram, financiaram e o projeto foi desenvolvido com êxito. "Para a comunidade de Flechal fizemos um financiamento através do Banco da Amazônia e o solo está em adiantada fase preparo", comentou.
Na avaliação do parlamentar, o resultado do projeto no Contão foi excelente. Disse que ali foram dados exemplos de como podem conviver índios e não índios no processo produtivo e de integração nacional. "No Contão foram plantados 110 hectares de arroz irrigado de onde saíram 14 mil sacos do produto. Quantidade suficiente para alimentar a comunidade, render algum dinheiro para um projeto pecuário, por exemplo, e mostrar que eles podem ter outro padrão de vida utilizando as terras onde vivem", observou.
Os parlamentares pensaram em levar tecnologia, mostrando aos indígenas, na prática como funciona uma lavoura desde o preparo do solo, cuidados e colheita. Além disso, demonstrar que eles têm competência para produzir, sustentar suas famílias, ganhar dinheiro e valorizar a autodeterminação quanto ao desejo que tiverem de participar do desenvolvimento econômico do Estado. "Isso contra ações que podem ocorrer em suas culturas através de ong's, políticos ou outros".
FOME - Para o deputado federal, as mortes por inanição no Mato Grosso noticiadas pela imprensa ocorrem porque a política indigenista não é do governo brasileiro e em parte é ditada por entidades estrangeiras. Ex-secretário estadual de saúde, ele disse que em Roraima o maior número de índios desnutridos está na área yanomami.
"Na área yanomami está rigorosamente implantada uma política não governamental e estrangeira e o índio não tem alternativa. As mortes em Mato Grosso ocorrem por falta de comida. Lá, como aqui, deixaram o índio numa condição quase selvagem. Deus queira que isso sirva para alertar o governo brasileiro quanto ao erro da política adotada até aqui e que estas mortes não se transformem em mais uma forma de carrear dinheiro para Ongs, e os índios continuarem passando necessidade como estão até hoje", declarou. (C.P)
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