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Depois da COP-25, é preciso voltar a fiscalizar e a punir desmatamentos

O Globo, Opinião, p. 2
19 de Dez de 2019

Depois da COP-25, é preciso voltar a fiscalizar e a punir desmatamentos
O Brasil não receber os devidos recursos para preservar não justifica que possa relaxar nos controles

Editorial

O papel negativo cumprido pelo Brasil na Conferência do Clima, de Madri, a COP-25, é o registro diplomático e político de que o governo Bolsonaro retirou o país do grupo de nações sensíveis ao aquecimento global e ativas na implementação de medidas para reduzir as emissões de carbono.

Oficializa, na COP-25, seu alinhamento aos Estados Unidos de Trump, que está em processo de rompimento com o Acordo de Paris, em que se congregam países preocupados com o tema e comprometidos com a meta de evitar que a temperatura da Terra suba além de 1,5 grau centígrado até o fim do século. Objetivo que especialistas já consideram difícil de atingir. O resultado, do qual já há indícios, é a elevação dos mares, secas e enchentes extremas, ondas de frio e calor, com drásticos efeitos na produção de alimentos.

A COP se estendeu pelo fim de semana e, com atraso, chegou a um documento aquém do desejado. Sem, por exemplo, regulamentar o mercado de carbono - onde se negociam créditos de empresas que conseguem reduzir emissões para outras que não conseguem. A missão brasileira, com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deu sua contribuição para os impasses. O ministro desembarcou em Madri e embarcou de volta pedindo aos países desenvolvidos ajuda financeira para projetos que permitam ao Brasil cortar emissões.

Salles tem razão em pedir incentivos financeiros para quem preserva. A questão é saber como. Ficou em aberto a chamada "dupla contagem" no crédito de carbono: um país reduz emissões, emite o crédito para ser adquirido por algum que não cumpre, mas também abateria este crédito de sua meta. Seja como for, Salles tem à disposição o dinheiro do Fundo Amazônia - R$ 3,2 bilhões, em grande parte proveniente de doações de Noruega e Alemanha. Mas congelado, porque o governo Bolsonaro quer alterar regras, para permitir o ressarcimento a supostos donos de terras incluídas em reservas - uma brecha para beneficiar grileiros.

O Brasil de Bolsonaro aumentou as emissões com o relaxamento na fiscalização e repressão a madeireiros e garimpeiros na Amazônia, agentes da devastação. A posse de um novo presidente conhecido por criticar políticas ambientais funcionou como senha para avanços em áreas de preservação. Entre agosto de 2018 e junho de 2019, o desmatamento aumentou em 30% na região, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É preciso retomar a fiscalização e a repressão a desmatamentos e queimadas. O que independe do pleito justo de mais recursos dos países desenvolvidos para preservar a cobertura florestal brasileira, cuja destruição é a maior fonte de emissão de carbono do país.

O Globo, 19/12/2019, Opinião, p. 2

https://oglobo.globo.com/opiniao/depois-da-cop-25-preciso-voltar-fiscal…

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