O Globo, Economia, p. 41
18 de Out de 2007
Demanda por álcool expande plantio da cana
Baixa cotação da soja também explica expansão do cultivo no país. Em MG, alta é de 26,9%
Fabiana Ribeiro
A produção brasileira de cana-de-açúcar, segundo o IBGE, avançou 8,1% em toneladas e 29% em reais no ano passado, tomando espaço de outras culturas - em especial, a soja. É um efeito da demanda no mercado externo por conta do etanol, dizem especialistas. De 2004 a 2006, a parcela destinada às outras culturas diminuiu 1.349.333 hectares, contra um aumento de 545.562 hectares para a cana. Em Minas Gerais, foi registrado o maior aumento da produção: 26,9%.
Apesar da expansão, analistas descartam um cenário em que os alimentos perdem significativo terreno para a cana. O que pode ocorrer se, advertem, o álcool se tornar uma commodity internacional.
De 1.600 municípios que plantam cana em mais de cem hectares, 519 aumentaram a produção e reduziram outras culturas no ano passado. Além da demanda por álcool, a cotação da soja no mercado internacional também estimulou os produtores a investirem na cana.
- A cana avançou principalmente nas áreas que já eram produtoras, como São Paulo (5,6%), Minas Gerais e Goiás (11,3%) - disse Alfredo Guedes, técnico agrícola do IBGE, destacando que a soja, mesmo assim, continuou a ser, em 2006, a cultura com maior contribuição para o valor total da produção agrícola brasileira (18,8%).
Segundo Pierre Vilela, assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas (Faemg), a cana também vem ocupando o lugar de pastagens, que têm um custo menor do que as lavouras.
- Apesar da ampliação da produção de cana, acredito que a soja recupere o espaço perdido. Isso, claro, se São Pedro permitir - disse ele.
Na avaliação de Vilela, a expansão da cana não prejudicou a produção de alimentos: - Há grãos com safras recordes. Não vão faltar alimentos no país - afirmou ele.
Em 2006, as 63 culturas temporárias e permanentes pesquisadas pelo IBGE geraram um valor de R$ 98,3 bilhões, 2,9% maior do que em 2005. Aalta foi impulsionada principalmente pela cana, pelo café e pela laranja. O valor da produção agrícola brasileira em 2006 ainda não atingiu, porém, o patamar recorde de 2004 - de aproximadamente R$ 111,2 bilhões.
SP responde pela maior fatia do valor da produção
Entre os estados, São Paulo foi o responsável, mais uma vez, pela maior fatia do valor da produção agrícola brasileira (20,3%). O estado é o maior produtor de laranja (79,7%), cana (58,8%), amendoim (82,2%), caqui (50,8%), goiaba (35,9%), limão (79,0%) e tangerina (44,4%). Já Minas é o maior produtor de café do país (51,5% da safra nacional).
O Globo, 18/10/2007, Economia, p. 41
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