O Globo, Ciência e Vida, p. 34
17 de Fev de 2006
Degelo recorde acelera elevação do nível do mar
Groenlândia já lança duas vezes mais gelo no oceano. Aquecimento global seria a causa
St. Louis, Missouri. O volume de gelo da Groenlândia lançado anualmente no Oceano Atlântico mais que dobrou nos últimos dez anos em razão do aumento da velocidade do derretimento das geleiras costeiras. O estudo, publicado na "Science", foi apresentado no Encontro Anual da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês) ontem, dia do primeiro aniversário da ratificação do Acordo de Kioto - o tratado internacional para a redução das emissões poluentes que contribuem para o aquecimento global.
Mudanças devem continuar a ocorrer
De acordo com os cientistas envolvidos no estudo, é justamente o aumento da temperatura do ar nas regiões costeiras da Groenlândia (de 2 a 3 graus Celsius) que estaria provocando tamanha aceleração no degelo. Informações coletadas por satélites, medições feitas na região e a análise de séries históricas de dados revelam que o volume de gelo perdido anualmente era de 90 quilômetros cúbicos em 1996 e passou para 220 quilômetros cúbicos em 2005, sendo que os maiores aumentos foram registrados a partir de 2000.
Em algumas áreas foi constatada uma redução de até 100 metros da cobertura de gelo.
- Estamos testemunhando enormes mudanças, que não dão sinais de arrefecimento - sustentou na reunião da AAAS, em St. Louis, Eric Rignot, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, principal autor do estudo. - E essas mudanças não estavam previstas nos modelos de aceleração da velocidade do degelo.
Em razão deste quadro, sustentam os cientistas, as estimativas sobre a contribuição da Groenlândia para o aumento do nível dos oceanos prevista nos modelos matemáticos feitos até hoje estariam subestimadas porque o aumento do derretimento não foi levado em conta.
Os especialistas calculam que a Groenlândia contribui com 0,5 milímetro por ano para o aumento do nível dos mares, que, atualmente, é de 3 milímetros por ano.
- Todo esse gelo derretido está indo para o mar - disse Rignot. - E é muito mais do que esperávamos. Por isso, é provável que esse degelo contribua muito mais e muito mais rapidamente para a elevação do nível dos oceanos do que imaginávamos.
Os números, frisaram os pesquisadores, se referem a regiões costeiras. No interior, houve um aumento das precipitações atribuído pelos cientistas às mudanças atmosféricas globais provocadas pelo aquecimento do planeta.
O Globo, 17/02/2006, Ciência e Vida, p. 34
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