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Decomposição de madeira vai gerar emissão de gases

Jornal do Tocantins-Palmas-TO
Autor: Gilvan Nolêto
07 de Jan de 2002

A decomposição de grande quantidade de madeira submersa, como a que está depositada no lago da Usina Hidrelétrica de Lajeado, deve gerar substâncias químicas corrosivas. Entre essas substâncias estão o ácido húmico, o sulfeto, o gás metano e o sulfídrico. A afirmação é feita por técnicos do Naturatins e confirmada pela engenheira ambiental da empresa responsável pela usina, Investco, Vera Reis, embora a pesquisadora descarte a possibilidade de uma significativa contaminação da água. Segundo Vera, o volume de madeira, comparado ao volume de água que será renovada a cada 23 dias, afasta esse risco.

Apesar da explicação da engenheira, o receio de parte da população ainda existe, como observa o padre José Moreira da Silva, da cidade de Porto Nacional. Para o padre Moreira, essa preocupação popular, inclusive com o mau cheiro que a decomposição pode causar, vem da constatação de que licença ambiental para elevação do nível do lago foi expedida por órgãos ambientais, antes da remoção de tantos resíduos, como ocorreu com a praia de Porto Real. Conforme o padre, nem os postes de energia elétrica, com toda a fiação, que fizeram parte da estrutura da última temporada de veraneio, foram retirados, quanto mais as madeiras de árvores que foram cortadas.

Sem risco
Em respaldo às afirmações da professora Vera, da Investco, o presidente do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Isac Bráz Cunha (que emitiu a licença ambiental a que o padre Moreira se refere), diz que o sistema do reservatório de água (lago) da Usina de Lajeado, difere do sistema adotado no reservatório da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, em Goiás, onde a água demora até 60 dias para ser renovada. "Os estudos feitos para a execução do projeto da Usina, foram completos", afirma Isac, descartando a possibilidade de omissão do órgão nas questões ambientais que envolvem o enchimento do lago.

De acordo com o coordenador de meio ambiente da Investco, Heleno Costa, os órgãos ambientais orientaram o desmatamento de 17 mil hectares mas, prevendo o problema dos gases, a empreendedora do projeto Lajeado desmatou 54 mil hectares, o que equivale a mais de 70% da área total do reservatório.

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